Investigação analisa a história do inglês e do Krio na Serra Leoa e a influência destas variedades linguísticas em toda a África Ocidental

O professor e investigador da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) Saidu Bangura é coautor do capítulo científico English and Krio in Sierra Leone, publicado na obra The New Cambridge History of the English Language: Africa, Asia, Australasia and the Pacific, da Cambridge University Press.
O trabalho foi desenvolvido em coautoria com Kofi Yakpo, professor da Universidade de Hong Kong, e Malcolm Awadajin Finney, professor da California State University, Long Beach, nos Estados Unidos da América. Publicado em linha pela Cambridge University Press recentemente, o capítulo integra a secção dedicada à África Ocidental e ocupa as páginas 175 a 206 da obra, editada pelo linguista Raymond Hickey.
Serra Leoa no centro da história linguística regional
Os autores posicionam a Serra Leoa como um território central para compreender o aparecimento e a expansão das variedades do inglês e das línguas de contacto com léxico de origem inglesa na África Ocidental.
Os autores analisam as migrações de pessoas de origem africana provenientes das Américas e de outras regiões da África Ocidental para Freetown, durante os séculos XVIII e XIX. Esses movimentos populacionais contribuíram para consolidar, na Serra Leoa, tanto a língua inglesa como o Krio, língua crioula de base lexical inglesa.
A partir de Freetown, comunidades Krio estabeleceram-se nas principais cidades da costa ocidental africana então sob domínio britânico. Segundo os investigadores, o inglês da Serra Leoa e as primeiras formas do Krio exerceram uma influência determinante no desenvolvimento de outras variedades do inglês e de línguas de contacto utilizadas na região.
O estudo estima que as línguas resultantes da interação entre as comunidades fundadoras Krio e as populações locais sejam atualmente utilizadas, com diferentes níveis de nativização, por até 140 milhões de pessoas na África Ocidental. O capítulo apresenta uma visão integrada da história, da estrutura e da evolução do inglês da Serra Leoa e do Krio, examinando também o seu possível impacto futuro na ecologia linguística regional.
Contributo para os estudos sobre línguas de contacto
A investigação aborda temas como contacto linguístico, descrição gramatical, línguas crioulas, inglês, Pidgin da África Ocidental e o conjunto de crioulos afro-caribenhos de base inglesa. A publicação reforça o debate académico sobre a circulação das línguas, as migrações africanas e a formação de novas comunidades linguísticas em contextos coloniais e pós-coloniais.
O trabalho constitui igualmente um contributo para o reconhecimento do papel histórico da Serra Leoa na formação do espaço linguístico anglófono da África Ocidental. Em vez de tratar o inglês e o Krio como realidades isoladas, os autores analisam-nos como componentes de uma rede regional marcada por mobilidade populacional, contacto cultural e transformação linguística.
Saidu Bangura é professor auxiliar da Faculdade de Ciências Sociais, Humanas e Artes da Uni-CV. É licenciado em Inglês e Linguística pela Universidade da Serra Leoa e doutorado em Tradução, Comunicação e Cultura, com especialização em Linguística Inglesa, pela Universidade de Las Palmas de Gran Canaria, em Espanha.
A sua investigação concentra-se em áreas como sociolinguística, linguística de contacto, variedades pós-coloniais do inglês, línguas africanas, crioulos e estudos literários pós-coloniais. A nova publicação dá continuidade ao seu trabalho sobre o inglês da Serra Leoa e sobre as dinâmicas históricas e ecológicas que moldam as línguas africanas.
A obra The New Cambridge History of the English Language analisa variedades da língua inglesa desenvolvidas fora dos espaços britânico e norte-americano. O volume em que se insere o capítulo dedica especial atenção às variedades presentes em África, na Ásia, na Australásia e no Pacífico, relacionando a sua evolução com fatores históricos, demográficos e sociolinguísticos.