
A Universidade de Cabo Verde e a Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS) pretendem aprofundar a cooperação nas áreas da segurança hídrica, qualidade da água, investigação aplicada, formação e capacitação de quadros, aproximando as competências científicas da Universidade dos desafios nacionais na gestão dos recursos hídricos e do saneamento.
As possibilidades de parceria foram analisadas esta sexta-feira, 21 de agosto de 2026, durante um encontro realizado na sala da Reitora, no Edifício 2 do Campus do Palmarejo Grande. Participaram a reitora da Uni-CV, Astrigilda Silveira, o presidente do Conselho de Administração da ANAS, Manuel Adilson Cardoso Fragoso, e o conselheiro estratégico da Reitora, António Lobo de Pina.
Astrigilda Silveira abriu o encontro manifestando a disponibilidade da Universidade para se afirmar como parceira científica e técnica da ANAS. A reitora defendeu uma cooperação estruturada, acompanhada por um plano de ação, que permita mobilizar docentes, investigadores, estudantes, laboratórios e projetos da Uni-CV para responder a necessidades concretas do setor.
Entre os domínios apresentados estiveram a criação de capacidade nacional para análise e controlo da qualidade da água, a acreditação laboratorial, o tratamento e reutilização de águas residuais, a utilização de dados e tecnologias na gestão hídrica, a formação especializada e o desenvolvimento conjunto de projetos de investigação.
Laboratório surge como primeira prioridade
Manuel Adilson Cardoso Fragoso identificou como uma das necessidades mais urgentes da ANAS o acesso a uma capacidade laboratorial que permita avaliar, com rigor e regularidade, a qualidade da água destinada ao consumo e de águas residuais utilizadas para outros fins.
O responsável manifestou interesse em analisar com a Uni-CV as condições existentes e as necessidades para avançar com uma solução laboratorial acreditada, capaz de prestar serviços à própria Agência e a outros operadores do setor.
A intenção é realizar uma nova visita com técnicos especializados da ANAS aos laboratórios da Universidade, avaliar equipamentos, espaços e competências disponíveis e, a partir desse diagnóstico, definir um modelo de cooperação e procurar financiamento para o reforço da capacidade instalada.
Fragoso assumiu recentemente a liderança da ANAS. O novo Conselho de Administração tomou posse a 13 de agosto, tendo como prioridades o reforço da gestão sustentável dos recursos hídricos, a segurança hídrica, a expansão do saneamento e uma maior articulação entre os intervenientes do setor. O engenheiro Manuel Fragoso possui mais de duas décadas de experiência nas áreas da engenharia, ambiente, recursos hídricos e alterações climáticas.
Estágios e investigação aplicada
O novo presidente destacou igualmente o interesse da Agência em receber estudantes da Uni-CV para estágios, sobretudo nas áreas da hidrologia, geologia, geografia, química e engenharias relacionadas com a água e o saneamento.
Para a Uni-CV, esta colaboração poderá aproximar os estudantes de problemas reais do setor e, simultaneamente, permitir à ANAS beneficiar das competências de jovens em formação e identificar futuros profissionais para áreas onde existe necessidade de reforço técnico.
António Lobo de Pina destacou que a Universidade possui experiência acumulada em investigação sobre recursos hídricos e defendeu uma participação mais direta dos investigadores nacionais nos estudos e projetos promovidos pela ANAS. O conselheiro estratégico apontou igualmente oportunidades de formação avançada em gestão integrada dos recursos hídricos e segurança hídrica, bem como de apoio científico à definição de critérios para captação e proteção das águas subterrâneas.
Uma das experiências que poderá contribuir para esta aproximação é o Projeto GENESIS, no qual a Uni-CV participa desde 2024. A iniciativa internacional testa soluções baseadas na natureza para aumentar a resiliência de regiões dependentes de águas subterrâneas. Em Santiago, a Universidade prepara a construção de dois diques de retenção e um de infiltração na bacia hidrográfica de Ribeireta, em São Miguel, com posterior instalação de instrumentos para estudar a recarga dos aquíferos.
A parceria insere-se na estratégia da atual Reitoria de colocar a ciência, a investigação e a formação ao serviço das prioridades nacionais, neste caso num setor determinante para a sustentabilidade ambiental, a saúde pública, a agricultura e o desenvolvimento de Cabo Verde.

