Universidade de Cabo Verde recebeu durante dois dias investigadores, empresas e responsáveis institucionais de três continentes. Próxima edição realiza-se em novembro, no Brasil.

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Foi numa atmosfera de despedidas longas e abraços demorados que terminou, na sexta-feira passada, 9 de maio, o primeiro encontro da Rede BIN realizado em solo africano. Durante dois dias, a Universidade de Cabo Verde transformou-se em ponto de convergência de investigadores, empresas e instituições académicas de Portugal, do Brasil e de outros países, num evento que os organizadores não hesitam em classificar como histórico.

Painéis, think tanks e, sobretudo, conversas informais nos corredores deram corpo ao espírito que o coordenador da rede, Pedro Coelho, fez questão de sublinhar no encerramento.

“As pessoas participam aqui de uma forma aberta, trocam experiências, não precisam pagar nada além da viagem. Vêm porque sentem que é um espaço de crescimento”, afirmou. “Acho que quem não partilha não vai longe.”

Para a Universidade de Cabo Verde, instituição mais recente a integrar a Rede BIN, o evento representa o culminar de um processo de aproximação com pares internacionais iniciado há mais de dois anos com a Universidade do Porto. A docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia, Maria dos Anjos, resumiu o sentido do encontro numa só frase: “Já fizemos pontes, agora vamos tecer laços.”

Entre os resultados visíveis está um produto concreto de cooperação científica: um composto não tóxico de combate a mosquitos, desenvolvido em parceria entre uma organização cabo-verdiana e outra sediada no Brasil. O caso foi apresentado como exemplo do tipo de colaboração que a rede pretende multiplicar.

O encontro decorreu em pleno período eleitoral em Cabo Verde, o que obrigou a reajustes de última hora na comissão organizadora e nas agendas institucionais. “Tivemos alguns contratempos, mas foram todos ultrapassados”, reconheceu Arlindo Veiga, presidente da comissão organizadora, deixando agradecimentos públicos ao responsável de American Corner, Paulo Borges e às colegas que asseguraram o trabalho a partir de São Vicente e da Praia.

O presidente da República chegou a visitar o evento, uma presença que os organizadores leram como sinal do reconhecimento institucional do projeto. Igualmente significativo foi o anúncio do apoio à criação de mecanismos de financiamento à investigação, como o DipoTec, que Pedro Coelho descreveu como “muito importante para acreditar nos nossos jovens, que são o futuro”.

O próximo encontro da Rede BIN está marcado para novembro, em Ribeirão Preto, no Brasil. A Universidade de Cabo Verde já confirmou presença. “Vamos marcar uma presença assídua na rede”, garantiu Veiga.

Por agora, fica a sensação de que algo se inaugurou. Como notou Pedro Coelho, citando o que ouviu repetidamente nestes dois dias: “Em Cabo Verde tem-se a certeza de que as coisas vão acontecer.”

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