Duas semanas após a assinatura de 12 acordos em Brasília, o embaixador Alexandre de Azevedo Silva visitou o Campus do Palmarejo Grande e anunciou que a Embaixada vai contactar diretamente as reitorias brasileiras para acelerar as parcerias, a começar pela UFSC.

A Embaixada do Brasil em Cabo Verde vai contactar diretamente as reitorias das universidades brasileiras parceiras da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), a começar pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), para dar respaldo diplomático à criação de programas de pós-graduação em regime híbrido. O compromisso foi assumido pelo embaixador Alexandre de Azevedo Silva nesta quinta-feira, 11 de junho, durante uma visita à Reitoria, no Campus do Palmarejo Grande, onde foi recebido pela reitora, Prof.ª Astrigilda Silveira.

O encontro decorreu duas semanas depois da missão da Uni-CV a Brasília, à margem do I Fórum de Reitores Brasil-África, de que resultaram acordos com 12 universidades brasileiras e negociações encaminhadas com outras cinco. O objetivo agora, sublinhou a reitora, é transformar os protocolos assinados em planos de ação concretos.

A aposta nas pós-graduações híbridas responde a um problema estrutural. A Uni-CV conta hoje com 118 doutores, 48% do corpo docente, mas depende fortemente das propinas dos estudantes para pagar os vencimentos, o que a impede de libertar professores para capacitação a tempo inteiro. O regime híbrido, com períodos presenciais concentrados de até duas semanas e acompanhamento pedagógico remoto, permitiria descentralizar a formação avançada para todas as ilhas, através de salas tecnológicas instaladas nos polos da universidade.

"Se pudermos contar com a consolidada experiência do Brasil em educação a distância para implementar programas de pós-graduação híbridos, e equiparmos salas com tecnologia nos nossos diferentes polos, daremos um salto qualitativo enorme", afirmou Astrigilda Silveira, antiga estudante da UFSC, instituição com a qual a Uni-CV já tem um protocolo geral de cooperação assinado.

A universidade soma cerca de 90 protocolos ativos e pretende chegar à centena com parceiros brasileiros, privilegiando os acordos gerais, "protocolos-chapéu", complementados por aditivos específicos, ligados a projetos de investigação e extensão em curso nas diferentes unidades orgânicas.

Da reunião saíram ainda três outras frentes de trabalho. A primeira é a certificação internacional de laboratórios, com a possível articulação entre o Instituto de Gestão da Qualidade e da Propriedade Intelectual (IGQPI) e o Inmetro brasileiro, em benefício dos produtores de vinho, queijo e café da ilha do Fogo. A segunda é a reativação da cooperação com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para a capacitação de docentes em Educação Especial. A terceira é o acesso ao programa "Move África" da CAPES, que financia bolsas de doutoramento e mestrado sanduíche.

O embaixador comprometeu-se igualmente a envolver a universidade nas missões técnicas brasileiras que passam pelo país. “Sempre que recebermos missões técnicas brasileiras, como a do Inmetro que ocorre esta semana, farei questão de ressaltar o interesse de envolver a Uni-CV nas agendas e oficinas de trabalho”, garantiu.

O próximo encontro entre as duas instituições já tem data marcada. Entre 16 e 21 de novembro, a semana comemorativa do aniversário da Uni-CV acolherá uma exposição, organizada com a Embaixada e o leitorado Guimarães Rosa brasileiro, dedicada à história da cooperação entre o Brasil e a universidade, presente, recordou a reitora, desde a própria fundação da instituição.

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