
Docentes e investigadores da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) foram os protagonistas de uma recente reportagem do programa "Nha Terra Nha Cretcheu", intitulada "Ciência Made in CV". A comunidade científica teve a oportunidade de abordar temáticas cruciais para o país, discutindo desde a produção de conhecimento aplicado à sociedade até aos desafios estruturais e financeiros que condicionam o avanço científico no arquipélago.
Com mais de uma década dedicada ao ensino e à investigação na área das doenças infecciosas e da resistência antimicrobiana, a docente Isabel Inês Araújo defendeu uma ciência assente na responsabilidade coletiva e orientada para a melhoria das condições de vida da população. Para a investigadora, o investimento consistente neste setor constitui um alicerce indispensável para o desenvolvimento económico e social sustentável.
Nesta mesma senda, a nova geração de cientistas está a ser formada na instituição. Tânia dos Reis, doutoranda em Doenças Tropicais e Saúde Global, exemplifica o compromisso dos jovens investigadores em contribuir para as questões críticas do país, sublinhando a importância de reter talentos em Cabo Verde para evitar a fuga de cérebros.
Outro pilar fundamental da investigação na Uni-CV é liderado pela docente Neidy Rodrigues na área da biomedicina. Um dos seus projetos mais recentes explora o potencial medicinal de plantas endémicas, como a Artemisia gorgonum (Losna), procurando identificar compostos com propriedades terapêuticas.
Um dos marcos institucionais também partilhados na reportagem foi a criação do primeiro laboratório de histopatologia para investigação e ensino em Cabo Verde, instalado via projeto Incubator, que tem sido essencial para o diagnóstico de patologias graves, como o cancro da próstata.
Apesar dos avanços e do reconhecimento internacional, materializados em convites para apresentações no estrangeiro e parcerias com instituições como a Universidade de York, os cientistas consideram que a escassez de financiamento, a falta de equipamentos de ponta e as limitações em infraestruturas continuam a ser desafios diários.
Neste contexto, os investigadores são unânimes em afirmar que, num país com recursos naturais limitados, o conhecimento constitui o principal ativo estratégico. A criação de um fundo nacional dedicado à ciência, tecnologia e inovação surge, assim, como uma medida crucial para assegurar a continuidade e o fortalecimento da investigação em Cabo Verde.