
A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), através da Faculdade de Ciência e Tecnologia (FCT), promoveu esta segunda-feira, 11 de maio, na Mediateca do Campus do Palmarejo Grande, a palestra “Amílcar Cabral e a tradição oral do Mandé nos filmes de Flora Gomes”, um encontro que reuniu docentes, investigadores e estudantes em torno do pensamento cabraliano e da sua expressão na cinematografia africana.
A sessão foi conduzida pela investigadora e professora Carolin Ferreira, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), atualmente em mobilidade académica na Uni-CV. Na abertura, a oradora partilhou aspetos da sua trajetória académica e profissional, sublinhando o seu percurso de investigação ligado ao cinema africano, à memória cultural e às narrativas de libertação dos povos africanos.
Ao longo da intervenção, foram exploradas diferentes perspetivas sobre o pensamento de Amílcar Cabral e a sua influência na obra do realizador guineense Flora Gomes, com destaque para o papel da tradição oral do Mandé enquanto elemento de memória, identidade cultural e resistência africana.
De acordo com a abordagem apresentada, os filmes de Flora Gomes procuram olhar para a realidade africana de forma crítica e humanizada, valorizando as histórias, as tradições e os processos de resistência dos povos do continente. A obra do cineasta evidencia as questões da liberdade nacional, da recuperação dos valores culturais e da união popular como instrumento de transformação social, reforçando a ideia de que “a união é a arma mais forte do povo”.
A palestrante refletiu ainda sobre os processos históricos de desumanização impostos aos povos africanos ao longo dos séculos, incluindo as estruturas jurídicas criadas durante a expansão colonial que legitimavam a escravização e reduziam o ser humano à condição de propriedade. Nesse enquadramento, sublinhou que a luta de Amílcar Cabral representou também um processo de recuperação da dignidade, da humanidade e da identidade cultural dos povos africanos.
O encontro encerrou com um momento de debate, no qual os participantes puderam dialogar com a investigadora sobre o legado de Cabral, o cinema como ferramenta de afirmação identitária e o lugar das tradições orais africanas na construção do pensamento contemporâneo.