Candidatos efetivos da 1.ª fase devem efetuar a matrícula até 14 de agosto. O período destinado aos suplentes decorre entre 17 e 21 de agosto, em função das vagas disponíveis.
A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) inicia, na segunda-feira, 3 de agosto, o processo de matrículas dos candidatos selecionados na 1.ª fase de ingresso para o ano letivo 2026/2027. O calendário prolonga-se até 21 de agosto e varia de acordo com a posição ocupada na lista seriada definitiva.
Os candidatos colocados como efetivos devem efetuar a matrícula entre 3 e 14 de agosto. O período destinado aos candidatos suplentes decorrerá de 17 a 21 de agosto, em função das vagas que permaneçam disponíveis após a matrícula dos efetivos.
As datas constam do calendário oficial de ingressos homologado para o ano letivo 2026/2027.
Matrícula realizada nos Serviços Académicos
A matrícula deve ser efetuada presencialmente nos Serviços Académicos da Uni-CV. Antes de se deslocarem aos respetivos serviços, os candidatos devem confirmar a colocação na lista seriada definitiva e verificar se o processo de candidatura contém toda a documentação exigida.
As matrículas decorrem de acordo com a posição ocupada por cada candidato na lista definitiva. A colocação pode ser consultada através da plataforma de candidaturas da Universidade de Cabo Verde.
Documentos necessários
No ato da primeira matrícula, os estudantes devem apresentar os originais ou cópias autenticadas dos documentos que ainda não tenham sido entregues durante o processo de candidatura, nomeadamente:
Os candidatos devem confirmar previamente se toda a documentação necessária está integrada no processo, evitando deslocações adicionais ou atrasos na formalização da matrícula.
Mantêm-se os seguintes encargos administrativos:
Os pagamentos podem ser efetuados através de cartão Vinti4 nas tesourarias dos respetivos campi. Os comprovativos devem ser apresentados e integrados no processo de matrícula.
Os candidatos que não obtenham vaga no curso correspondente à primeira escolha devem contactar a Comissão de Coordenação de Ingressos para receberem orientação sobre eventuais vagas disponíveis noutras opções ou formações.
Para esclarecimentos adicionais, a Comissão de Coordenação de Ingressos está disponível através do endereço eletrónico Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar., do telefone 334 0258 e dos números móveis 957 9328 e 526 2046.
Foi uma das histórias mais saborosas contadas no painel “Como se perde uma República”, que encerrou, a 9 de junho, o VII Encontro Cabo-verdiano de Língua Portuguesa, na Universidade de Cabo Verde: em 1912, dois republicanos bateram-se em duelo no Jardim Botânico da Praia, e um deles viria a ser o primeiro-ministro cabo-verdiano de um governo português.
O episódio foi recordado pelo historiador Rui Tavares, que citou a obra Os Medina e Vasconcelos, da historiadora Maria de Lurdes Caldas. Tudo começou no Plateau, quando Velhinho Correia, português algarvio que estivera na Guiné e pertencia à ala mais à esquerda do Partido Republicano, terá falado com desdém de António José de Almeida, líder da ala evolucionista a que pertencia Carlos Eugénio de Vasconcelos, natural da Ilha do Fogo. A ofensa só podia ser lavada à maneira da época: as chamadas “pendências de honra”, então uma forma comum de resolver discórdias políticas, o próprio primeiro-ministro Álvaro de Castro chegou a bater-se em duelo.
Vasconcelos escolheu pistolas. Havia, porém, um problema insular: não existiam pistolas de duelo na ilha, e mandá-las vir da Europa demoraria demasiado. Coube ao árbitro escolhido, o capitão de fragata Sena Barcelos, decidir: o duelo seria ao sabre, no Jardim Botânico da Praia. Durou cinco segundos, resultou em dois feridos leves, e o assunto ficou resolvido.
A história teria continuação em Lisboa. Em novembro de 1924 formou-se o chamado “Governo Canhoto”, uma rara aliança entre o centro-esquerda e a esquerda radical, que se tornou o primeiro governo português a incluir um ministro cabo-verdiano: o mesmo Carlos Eugénio de Vasconcelos, que assumiu a pasta das Colónias. Quando um aliado se disse comovido por ver no governo, pela primeira vez, um filho de Cabo Verde, “terra de famintos”, o jornal anarcossindicalista A Batalha ironizou: os famintos das ilhas estavam representados por um homem robusto, de compleição atlética, “que parecia capaz de carregar a Torre de Belém às costas”.
O temperamento, esse, manteve-se. Nos meses finais da Primeira República, com a classe política em total descrédito, Vasconcelos chegou a puxar de uma arma em pleno Parlamento para ameaçar um anarquista nas galerias. Meses depois, o golpe de 28 de maio de 1926 poria fim ao regime, e ao mundo de duelos, cravos e “pendências de honra” que o acompanhou.
Embaixador Sanjeev Jain entregou obras que abrangem filosofia, política, cinema e culinária indiana, consolidando dois anos e meio de cooperação entre a diplomácia indiana e a universidade pública cabo-verdiana.
Uma coleção de livros sobre filosofia, política, cinema e gastronomia indianas chegou esta segunda-feira, 23 de março, à Mediateca da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), pelas mãos do embaixador da Índia em Cabo Verde, Sanjeev Jain, numa cerimónia que selou mais de dois anos de aproximação diplomática e académica entre os dois países. O espaço, batizado de “Canto da Índia”, passa a reunir obras que vão desde literatura infantil até ensaios sobre a civilização milenar indiana, um acervo que a comunidade académica poderá consultar gratuitamente.
A cerimónia decorreu na Mediateca, Campus do Palmarejo Grande, e contou com a presença do Reitor José Arlindo Barreto, da Pró-Reitora para as áreas de Política Estudantil, Social e Extensão, Fátima Fernandes, da Diretora do Serviço de Documentação e Edições, Eliane Semedo do Administrador-Geral, Iderlindo de Pina e de membros da equipa reitoral.
O Reitor José Arlindo Barreto abriu a sessão com um agradecimento pessoal ao embaixador, sublinhando que a doação transcende o valor material dos exemplares. “Estes livros têm muito mais do que o valor material. É o símbolo dessa amizade, dessa confiança que tem na instituição e, sobretudo, dessa aproximação que procura com Cabo Verde, com o povo cabo-verdiano”, frisou José Arlindo Barreto.
Dos livros aos frutos: uma cooperação que dá frutos literais
A doação literária não é o único fruto da relação entre a Embaixada da Índia e a Uni-CV. O Reitor recordou que, no âmbito desta parceria, foi criado um espaço de plantação no Campus do Palmarejo Grande, inspirado numa iniciativa indiana que visou plantar mais de mil milhões de árvores em apenas um ano. O projeto, lançado em julho de 2024 durante uma visita de cortesia do embaixador à universidade, já começou a produzir resultados concretos: as romanzeiras já dão frutos, alguns, brincou Barreto, provavelmente já saboreados pelos estudantes, enquanto os coqueiros, de maturação mais lenta, continuam a crescer.
Cinco mil anos de civilização em livros
O embaixador Sanjeev Jain explicou que a coleção foi pensada como uma “pequena encapsulação” do que a Índia pode oferecer ao mundo. Com uma civilização de cinco milénios, a seleção abrange literatura infantil e adulta, filosofia, política, cinema, com destaque para Bollywood, particularmente popular entre o público cabo-verdiano, e gastronomia indiana.
O diplomata indiano foi direto quanto ao propósito da doação: ajudar os estudantes a verem a Índia para além dos estereótipos. “Todos os países têm os seus estereótipos e as pessoas carregam-nos, não há nada de errado nisso. Mas é também nosso dever permitir que vejam de uma perspetiva diferente”, afirmou Jain, perante a equipa reitoral, dirigentes e demais convidados.
“A amizade não é uma questão de cargos. Começou com os cargos, mas permanece”, disse Sanjeev Jain, Embaixador da Índia em Cabo Verde.
Jain prometeu complementar o acervo com materiais pedagógicos adicionais, incluindo documentários sobre a história e a cultura indianas, em consulta com a universidade. O Reitor, por seu turno, sugeriu a inclusão de obras sobre Mahatma Gandhi, proposta imediatamente acolhida pelo embaixador.
Uma relação em construção
A doação inscreve-se numa trajetória de aproximação entre a Índia e a Uni-CV que ganhou impulso com a visita de cortesia do embaixador Jain ao Reitor, em julho de 2024, no Campus do Palmarejo Grande. Nesse encontro, o diplomata manifestou o interesse da Índia em estabelecer parcerias estratégicas nas áreas de ciências agrárias e alterações climáticas, propondo o desenvolvimento de tecnologias agrícolas resilientes a climas áridos, um desafio partilhado por ambos os países.
Desde então, a cooperação materializou-se em várias frentes: a proposta inicial de doação de 100 livros de autores indianos, o projeto de plantação de árvores no campus e, agora, a inauguração do «Canto da Índia» como espaço permanente na Mediateca.
Em cerimónia realizada na Sala do Conselho da Universidade, em Palmarejo Grande, a Magnífica Reitora deu posse à nova equipa que liderará as faculdades, escolas e a área da investigação nos próximos anos.
A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) empossou, esta quinta-feira, 14 de maio, o Pró-Reitor para a Investigação, Inovação e Extensão, Professor Doutor Adilson Semedo, bem como as Presidentes das suas Unidades Orgânicas, em cerimónia presidida pela Magnífica Reitora, Professora Doutora Astrigilda Silveira, na Sala do Conselho da Universidade, em Palmarejo Grande, Cidade da Praia.
Tomaram igualmente posse as Professoras Aleida Furtado, nomeada Presidente da Faculdade de Educação e Desporto e da Faculdade de Ciências Sociais, Humanas e Artes; Carina Fernandes, Presidente da Faculdade de Ciências e Tecnologia e da Escola de Ciências Agrárias e Ambientais; e Maria Zenaida Leite, Presidente da Escola de Negócios e Governação. As nomeações foram publicadas no Boletim Oficial n.º 62, II Série, de 2 de abril de 2026, e no Boletim Oficial n.º 85, II Série, de 8 de maio de 2026, ao abrigo dos Estatutos da Universidade de Cabo Verde, aprovados pelo Decreto-Lei n.º 4/2026, de 16 de janeiro.
“Um sentido de serviço” - Pró-Reitor Adilson Semedo
Na sua primeira intervenção enquanto Pró-Reitor, o Professor Adilson Semedo afirmou que assume o cargo com um profundo sentido de serviço, defendendo uma investigação “mais democrática, mais envolvente e mais inclusiva” e uma extensão universitária colocada ao serviço de Cabo Verde. “Os desafios são também oportunidades e, nesse caso, acabam por ser faróis, indicando claramente o que precisa ser feito”, sublinhou, agradecendo à Magnífica Reitora a confiança depositada.
«Vamos ao trabalho» - palavras das Presidentes
Em representação das colegas empossadas, Maria Zenaida Leite reafirmou o compromisso do grupo com a excelência académica, a inovação científica e o progresso sustentável. Defendeu uma liderança inclusiva, que valorize o talento de cada membro da academia, impulsione a formação de novos quadros e contribua para o desenvolvimento do país “através da ciência e da educação”. Encerrou a sua intervenção com um apelo: “Juntos transformaremos desafios em oportunidades. Vamos ao trabalho.”
Uni-CV como universidade atlântica de referência
Na intervenção que encerrou a cerimónia, a Magnífica Reitora, Professora Astrigilda Silveira, recordou que “a universidade vive de ideias, mas concretiza-se através das pessoas que aceitam servir uma missão coletiva”. Defendeu que a investigação, a inovação e a extensão universitária devem assumir-se como instrumentos de transformação concreta da vida das pessoas e das comunidades, e apelou a lideranças próximas, capazes de escutar e comprometidas com resultados.
A Reitora identificou ainda os principais desafios institucionais como a transformação digital, a transição energética, a internacionalização, o financiamento científico, a qualidade académica, a modernização das infraestruturas, a sustentabilidade institucional e a regularização das carreiras docente e não docente, apontando, em contrapartida, uma grande oportunidade: a afirmação da Uni-CV como “universidade atlântica de referência”, capaz de ligar Cabo Verde às grandes redes internacionais de conhecimento, ciência e inovação.
A cerimónia, transmitida também à distância, contou com a presença de membros da equipa reitoral, do Administrador-Geral, de vice-presidentes das unidades orgânicas, da Diretora do Instituto Confúcio, docentes, investigadores e funcionários técnicos e administrativos da Universidade.
O Pró-Reitor para Tecnologias, Inovação e Dados da Universidade de Cabo Verde, Celestino Barros, participou no passado dia 19 de fevereiro no programa Em Debate, da TCV, sob o tema Desafio do Digital como Acelerador da Transformação em Cabo Verde. O debate contou igualmente com a participação de Hélio Varela, Especialista em Tecnologia de Informação, e de Mayra Silva, representante da Women in Tech em Cabo Verde.
Durante a sua intervenção, Celestino Barros destacou que a implementação do 5G poderá posicionar o país na vanguarda tecnológica, criando oportunidades para a inovação, competitividade e modernização dos serviços. Reconheceu, contudo, que se trata de um investimento significativo, defendendo uma articulação estratégica entre o Governo e as operadoras de telecomunicações, bem como uma implementação faseada da tecnologia como forma de minimizar custos e garantir sustentabilidade.
Outro ponto central da intervenção foi a importância da literacia digital, particularmente no contexto do ensino superior. Celestino Barros destacou o papel da Uni-CV na formação de quadros qualificados e preparados para responder aos desafios tecnológicos contemporâneos.
“A Universidade tem vindo a reforçar a sua oferta formativa na área tecnológica, disponibilizando cursos em diferentes domínios das tecnologias de informação, inovação e dados, além de promover workshops, conferências e outras iniciativas científicas que fomentam a capacitação digital da comunidade académica e da sociedade em geral.”
O Pró-Reitor evidenciou ainda o compromisso da Uni-CV com a investigação científica orientada para as necessidades concretas de Cabo Verde. Entre os exemplos mencionados, destacou o projeto kafuka, que utiliza painéis fotovoltaicos para fornecer iluminação em comunidades rurais sem acesso à eletricidade, bem como a criação de uma aplicação que permite aos agricultores, através de um telemóvel, identificar rapidamente se um inseto encontrado nas suas culturas é ou não a lagarta-do-cartucho, recebendo de imediato recomendações sobre como agir.
Ao longo do debate, Celestino Barros sublinhou que o ensino superior, aliado à inovação e a políticas tecnológicas consistentes, constitui um pilar essencial para a consolidação de um ecossistema digital mais inclusivo, competitivo e orientado para o desenvolvimento sustentável do país.
EM DEBATE - Cabo Verde: Digital como Acelerador da Transformação