O Pró-Reitor para Tecnologias, Inovação e Dados da Universidade de Cabo Verde, Celestino Barros, participou no passado dia 19 de fevereiro no programa Em Debate, da TCV, sob o tema Desafio do Digital como Acelerador da Transformação em Cabo Verde. O debate contou igualmente com a participação de Hélio Varela, Especialista em Tecnologia de Informação, e de Mayra Silva, representante da Women in Tech em Cabo Verde.
Durante a sua intervenção, Celestino Barros destacou que a implementação do 5G poderá posicionar o país na vanguarda tecnológica, criando oportunidades para a inovação, competitividade e modernização dos serviços. Reconheceu, contudo, que se trata de um investimento significativo, defendendo uma articulação estratégica entre o Governo e as operadoras de telecomunicações, bem como uma implementação faseada da tecnologia como forma de minimizar custos e garantir sustentabilidade.
Outro ponto central da intervenção foi a importância da literacia digital, particularmente no contexto do ensino superior. Celestino Barros destacou o papel da Uni-CV na formação de quadros qualificados e preparados para responder aos desafios tecnológicos contemporâneos.
“A Universidade tem vindo a reforçar a sua oferta formativa na área tecnológica, disponibilizando cursos em diferentes domínios das tecnologias de informação, inovação e dados, além de promover workshops, conferências e outras iniciativas científicas que fomentam a capacitação digital da comunidade académica e da sociedade em geral.”
O Pró-Reitor evidenciou ainda o compromisso da Uni-CV com a investigação científica orientada para as necessidades concretas de Cabo Verde. Entre os exemplos mencionados, destacou o projeto kafuka, que utiliza painéis fotovoltaicos para fornecer iluminação em comunidades rurais sem acesso à eletricidade, bem como a criação de uma aplicação que permite aos agricultores, através de um telemóvel, identificar rapidamente se um inseto encontrado nas suas culturas é ou não a lagarta-do-cartucho, recebendo de imediato recomendações sobre como agir.
Ao longo do debate, Celestino Barros sublinhou que o ensino superior, aliado à inovação e a políticas tecnológicas consistentes, constitui um pilar essencial para a consolidação de um ecossistema digital mais inclusivo, competitivo e orientado para o desenvolvimento sustentável do país.
EM DEBATE - Cabo Verde: Digital como Acelerador da Transformação
A coordenação do Mestrado Integrado em Medicina da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade de Cabo Verde realizou, a 3 de outubro, no Auditório 102 do Edifício n.º 8 (Campus do Palmarejo Grande), um encontro com pais e encarregados de educação dos estudantes do 1.º ano, visando estreitar a comunicação e incentivar a participação nas atividades da Uni-CV.
A sessão teve caráter informativo e participativo, abrindo um espaço regular de diálogo entre a coordenação do curso e os responsáveis pela educação dos estudantes. A prioridade passa por envolver ativamente as famílias na vida académica, promovendo uma relação de proximidade que favoreça o acompanhamento dos percursos dos estudantes e a resolução célere de questões associadas à prestação do curso.
No enquadramento institucional, o Mestrado Integrado em Medicina (MIM) da FCT integra a estratégia da Uni-CV de qualificação científica e profissional avançada, alinhada com necessidades do país e com padrões de ensino superior. A coordenação entende que a parceria com pais e encarregados de educação é um fator de sucesso, tanto na adaptação ao ensino universitário como na consolidação de hábitos de estudo, gestão do tempo e responsabilidade em ambientes laboratoriais e clínicos.
Durante o encontro, foram apresentados objetivos e expectativas para o 1.º ano, clarificando regras académicas, comunicação com os serviços e canais para sinalização de dificuldades. Por seu turno, os participantes puderam colocar questões e partilhar perceções, contribuindo para uma leitura mais completa dos desafios iniciais da formação médica. A coordenação destacou que a participação ativa das famílias pode ajudar a detetar precocemente obstáculos e a encaminhar soluções em articulação com docentes, serviços académicos e estruturas de apoio.
A organização sublinhou, ademais, que o aproximar às famílias tem também uma dimensão comunitária: reforça a divulgação do curso junto da sociedade cabo-verdiana, incluindo a diáspora, e potencia redes de apoio relevantes para o sucesso estudantil. A melhoria da qualidade da gestão do curso, passa por processos transparentes, comunicação clara e participação informada dos vários intervenientes.

Face ao declínio na procura dos cursos de Ciências Sociais, a universidade reestrutura a sua oferta. Para o professor Adilson Semedo, numa era dominada pela tecnologia, a capacidade de interpretar o humano nunca foi tão crucial.
A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) lançou uma nova licenciatura em Sociologia, uma aposta estratégica para revitalizar os estudos sociais e responder às novas exigências de um mundo cada vez mais complexo e mediado pela tecnologia. A decisão surge num contexto de decréscimo de alunos na tradicional licenciatura em Ciências Sociais, uma tendência que o professor Adilson Semedo atribui a uma narrativa global que tem priorizado as ciências exatas em detrimento das humanidades.
Numa conversa que marcou a estreia do podcast sobre a oferta formativa da Uni-CV, o docente, investigador e sociólogo defendeu que, paradoxalmente, a importância da Sociologia cresce à medida que avança a inteligência artificial. “Num futuro onde a interação com máquinas é crescente, a sociologia é crucial para a interpretação das culturas e dos códigos sociais, algo que as máquinas não podem fazer”, afirmou Semedo.
A nova licenciatura foi desenhada com um currículo robusto, que alia uma forte componente teórica e metodológica a um foco em temas prementes da realidade cabo-verdiana, incluindo as dinâmicas sociais geradas pela tecnologia. O curso, que conta com um corpo docente maioritariamente composto por doutorados, visa formar profissionais com uma visão crítica, capazes de atuar no ensino, na investigação ou na assessoria técnica em organismos públicos e privados.
Segundo o professor, a quebra na procura dos cursos de Ciências Sociais, acentuada a partir de 2015, não se deveu a uma falta de mercado, mas a uma mudança no “imaginário académico” nacional e internacional, que passou a ver as áreas tecnológicas como as “verdadeiras ciências”. “O discurso de que não há mercado para a área é falso. A Sociologia é uma área de futuro, pois trabalha com a sociedade, que está presente em tudo”, argumentou.
Inicialmente, a licenciatura em Sociologia será lecionada no campus da Praia, com a ambição de se expandir a outros polos.
A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), através do Instituto de Língua Francesa, realizou na quarta-feira, 27 de março, um evento especial intitulado "Olhares Cruzados: Percursos Diferentes no Mesmo Espaço". A iniciativa, que marcou as comemorações do Dia da Mulher Cabo-verdiana e do Dia Internacional da Francofonia, decorreu no campus do Palmarejo Grande, reunindo docentes, estudantes, representantes da Embaixada de França e membros da comunidade académica.
Na abertura do evento, o Magnífico Reitor da Uni-CV, José Arlindo Barreto, sublinhou a relevância da língua francesa como instrumento de comunicação intercultural e veículo para ideias e debates essenciais sobre a condição humana. Destacou o trabalho desenvolvido pelo Instituto de Língua Francesa e pelos professores, enfatizando a importância de ensinar e aprender com paixão e estratégia. "Aprender uma língua estrangeira exige paixão e astúcia, e o nosso compromisso é transmitir o gosto pela língua francesa," afirmou.
O Reitor aproveitou ainda a ocasião para prestar homenagem às mulheres cabo-verdianas, destacando o seu papel fundamental, frequentemente invisível, na vida familiar e na educação dos filhos. Chamou à atenção para a necessidade urgente de reconhecimento e justiça em relação aos esforços das mulheres, especialmente as que vivem em zonas rurais e enfrentam realidades difíceis. "É preciso sair do nosso meio para compreender a realidade das mulheres que desempenham tarefas essenciais ao funcionamento da sociedade cabo-verdiana," sublinhou.
Representando a Embaixada de França, Monsieur Paris, realçou a parceria estratégica entre a embaixada e a Uni-CV, destacando que esta colaboração tem permitido a criação de programas de intercâmbio e formações linguísticas altamente enriquecedoras. "A língua francesa é uma ponte entre culturas e nações, facilitando o diálogo, o intercâmbio cultural e o acesso a oportunidades internacionais," declarou. Reforçou ainda o compromisso da embaixada em continuar apoiando a universidade e as novas gerações no domínio da francofonia.
O evento teve também um momento cultural, com a declamação do poema Femme Noire, de Léopold Sédar Senghor, uma homenagem às mulheres africanas realizada por um estudante, criando um momento de emoção e reflexão na sala.
A atividade principal, o painel "Olhares Cruzados", reuniu três convidadas que partilharam os seus percursos pessoais e profissionais, numa reflexão aberta sobre desafios comuns e experiências diversas vividas por mulheres cabo-verdianas em diferentes contextos sociais e culturais.