Arnaldo Brito, António Nóvoa, José Pacheco e Marco Curry protagonizaram um ciclo de conferências na I Conferência Nacional da Educação, promovendo uma reflexão alargada sobre as políticas educativas, a transformação da escola, a inovação pedagógica e a centralidade das aprendizagens.

A transformação da Educação, os desafios da escola contemporânea e a necessidade de repensar os modelos de ensino e aprendizagem estiveram no centro de quatro conferências realizadas no primeiro dia da I Conferência Nacional da Educação (CONEDCV 2026), a 5 de novembro de 2026, no Centro de Convenções da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).
Arnaldo Brito, António Nóvoa, José Pacheco e Marco Curry trouxeram ao debate diferentes perspetivas sobre o presente e o futuro dos sistemas educativos, num espaço de reflexão e partilha que articulou a visão estratégica das políticas públicas com abordagens pedagógicas e experiências de transformação escolar.
Integrada no lema «Pensar a Educação para Melhor Desenvolver Cabo Verde», a iniciativa constituiu um dos momentos de aprofundamento e partilha de conhecimento da Conferência, reunindo contributos em torno de questões fundamentais para o desenvolvimento educativo: que escola queremos construir, como garantir aprendizagens significativas e de qualidade e que mudanças são necessárias para responder às exigências de uma sociedade em permanente transformação?
Arnaldo Brito: colocar as aprendizagens no centro das políticas educativas
Na sua intervenção, o Ministro da Educação, Arnaldo Brito, apresentou as orientações estratégicas da política educativa para o período 2026-2031, enquadrando a necessidade de uma mudança de paradigma no sistema educativo cabo-verdiano.
A reflexão centrou-se na importância de deslocar o foco da organização do sistema e da transmissão de conteúdos para os resultados efetivos da aprendizagem dos alunos. Neste quadro, o reforço da autonomia das escolas, a valorização dos professores, a melhoria das práticas pedagógicas e a aproximação entre a educação e as necessidades da sociedade assumem particular relevância.
A intervenção sublinhou, assim, a importância de uma política educativa capaz de responder aos desafios nacionais, promover a equidade e assegurar que cada aluno tenha condições para desenvolver conhecimentos, competências e capacidades essenciais à sua participação na sociedade.
António Nóvoa: a escola do século XXI exige novas formas de ensinar e aprender
O professor e investigador português António Nóvoa trouxe uma reflexão sobre a transformação da escola e a necessidade de superar modelos educativos tradicionais, num contexto marcado por profundas mudanças sociais, culturais e tecnológicas.
A sua abordagem destacou a importância de uma escola que valorize a cooperação, a participação e a construção coletiva do conhecimento, atribuindo aos alunos um papel mais ativo nos processos de aprendizagem. A transformação educativa passa, nesta perspetiva, pela renovação das práticas pedagógicas e pela criação de ambientes de aprendizagem mais colaborativos e participativos.
António Nóvoa colocou igualmente em evidência a centralidade dos professores neste processo, defendendo a valorização da profissão docente, o reforço da autonomia profissional e a criação de condições para o trabalho colaborativo. A renovação da escola, nesta perspetiva, não se concretiza apenas através de reformas curriculares ou tecnológicas, mas exige também uma transformação da cultura profissional e das relações que sustentam o trabalho educativo.
José Pacheco: uma escola centrada na pessoa e na construção do conhecimento
O educador português José Pacheco, reconhecido pelo seu trabalho de transformação dos modelos tradicionais de organização escolar, trouxe ao debate a necessidade de repensar a própria conceção de escola e a forma como se organizam os processos de ensino e aprendizagem.
A sua abordagem pedagógica valoriza a autonomia dos alunos, a cooperação, a responsabilidade e o respeito pelos diferentes ritmos e percursos de aprendizagem. Questiona uma organização escolar excessivamente rígida, estruturada em torno de turmas, disciplinas e práticas uniformizadas, defendendo ambientes educativos que reconheçam a singularidade de cada aluno e promovam a construção partilhada do conhecimento.
A reflexão em torno destas experiências permite questionar práticas ainda enraizadas nos sistemas de ensino e reforçar a importância de uma escola que não se limite à transmissão de conteúdos, mas que crie condições para aprender, participar, investigar e desenvolver capacidades ao longo da vida.
Marco Curry: contributos para o debate sobre a Educação e os desafios do futuro
A participação de Marco Curry integrou o conjunto de conferências dedicadas à reflexão sobre os desafios que se colocam à Educação num contexto de profundas transformações sociais e de novas exigências para os sistemas de ensino.
A sua intervenção fez parte de um programa que procurou alargar o debate sobre as respostas educativas necessárias para preparar as novas gerações, reforçando a importância de uma visão de futuro para a escola e para os processos de aprendizagem.
Um debate que convoca a transformação da Educação
No seu conjunto, as quatro conferências evidenciaram a complexidade dos desafios que atravessam os sistemas educativos e a necessidade de uma abordagem integrada à transformação da Educação. As reflexões trouxeram para o centro do debate a articulação entre políticas públicas, organização escolar, práticas pedagógicas e valorização dos profissionais da educação.
Mais do que identificar problemas, este ciclo de conferências procurou abrir caminhos para uma reflexão sobre as mudanças necessárias à construção de uma escola capaz de responder às aspirações da sociedade cabo-verdiana e às exigências do século XXI.
A CONEDCV 2026 afirma-se, deste modo, como um espaço de diálogo, produção de conhecimento e partilha de experiências, reunindo diferentes atores do setor educativo em torno de um propósito comum: pensar a Educação como um dos pilares fundamentais do desenvolvimento humano, social e económico de Cabo Verde.
