
A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), através do Gabinete de Saúde, promoveu, nesta quinta-feira, 29 de outubro, uma ação dedicada à saúde da mulher e à luta contra o cancro da mama, no Polo II.
A iniciativa, realizada com o apoio da Clínica Urgimed, integrou as atividades do Outubro Rosa 2026 e teve como objetivo sensibilizar a comunidade para a importância do autocuidado, da adoção de estilos de vida equilibrados e da deteção precoce da doença.
Durante a manhã decorreu a atividade interativa “Caminhos da Prevenção ao Tratamento: Uma experiência educativa sobre o cancro da mama”, organizada em três espaços temáticos. As atividades incluíram jogos educativos sobre fatores de risco e sinais de alerta, orientações sobre hábitos saudáveis, demonstrações práticas do autoexame da mama com modelos anatómicos, aconselhamento individual e distribuição de materiais informativos. Foi também apresentado o percurso de acompanhamento da doença, desde o diagnóstico até às principais etapas terapêuticas.
No período da tarde, o auditório da FaED acolheu a mesa-redonda “Para Além da Sensibilização - Do Conhecimento à Ação na Prevenção do Cancro da Mama”, moderada por Daniela Fortes, enfermeira e docente da Uni-CV. O painel contou com a participação da médica ginecologista Teresa Martins, responsável pela área de patologia mamária do Hospital Batista de Sousa, da enfermeira Erika e da psicóloga clínica e docente universitária Cláudia Galina.
Ao longo da discussão, as profissionais abordaram os desafios que persistem na prevenção e no diagnóstico precoce, desde os fatores emocionais que levam ao adiamento da procura de cuidados de saúde até às dificuldades de acesso a consultas e exames de diagnóstico.
A médica Teresa Martins chamou a atenção para o aumento dos casos de cancro da mama que tem observado ao longo da sua experiência profissional e para a importância de reconhecer precocemente os sinais de alerta. "O outro fator é pura e simplesmente medo", afirmou, referindo-se a uma das razões que levam algumas mulheres a adiar a procura de ajuda, mesmo depois de identificarem alterações na mama. A especialista reforçou a importância do acompanhamento regular e da procura atempada de avaliação médica, salientando que o diagnóstico precoce pode fazer uma diferença significativa no tratamento e na recuperação.
Por sua vez, a enfermeira Erika destacou os constrangimentos enfrentados pelos serviços de saúde, chamando a atenção para o desequilíbrio na distribuição de recursos, com maior direcionamento de verbas para o tratamento da doença do que para os meios de diagnóstico. A intervenção evidenciou que a prevenção e a deteção precoce exigem não apenas campanhas de sensibilização, mas também investimento em equipamentos, exames e condições que permitam identificar a doença atempadamente. Entre as dificuldades apontadas estiveram ainda os custos dos exames e os tempos de espera, fatores que podem atrasar o diagnóstico e comprometer o acesso aos cuidados necessários.
A dimensão psicológica da doença foi abordada por Cláudia Galina, que destacou a diferença entre conhecer os sinais de alerta e agir perante eles. "O facto de as pessoas terem informação não quer dizer que as pessoas vão ter iniciativas de ação", explicou. Segundo a psicóloga, o medo, a negação, as crenças pessoais e as preocupações familiares e socioeconómicas podem influenciar a decisão de procurar ajuda e a adesão às consultas e aos tratamentos. Neste sentido, salientou a importância do acompanhamento psicológico e de uma abordagem que tenha em conta o contexto de cada pessoa.
A mesa-redonda destacou também a necessidade de melhorar a articulação entre os diferentes níveis de prestação de cuidados de saúde, agilizar os encaminhamentos e assegurar respostas atempadas às pessoas com suspeitas da doença. As intervenções convergiram na importância de transformar a sensibilização em medidas concretas, garantindo que a informação seja acompanhada de condições efetivas para a prevenção, o diagnóstico e o tratamento.
