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 A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) e o Instituto do Arquivo Histórico Nacional estudam a criação de um curso superior em Ciência da Informação, que reúna numa única formação a Arquivística, a Biblioteconomia e a Museologia. A proposta foi apresentada na manhã desta terça-feira, 22 de julho, durante um encontro na Uni-CV, e pretende responder à falta de quadros qualificados na gestão documental do Estado.

O encontro juntou o Presidente do Instituto do Arquivo Histórico Nacional, José Maria Tavares, e dois Pró-reitores da Uni-CV: Adilson Semedo, para a Investigação, Inovação e Extensão, e António de Jesus, para a Cooperação Internacional e Parcerias Estratégicas. O objetivo foi estreitar laços e definir frentes de cooperação em investigação, extensão e internacionalização.

ipcunicvk_c86f6.jpgNa base da proposta está um diagnóstico severo dos arquivos públicos. Segundo o Presidente, a gestão documental ainda não é encarada com o rigor necessário: há a tendência de valorizar apenas a dimensão histórica (a fase final), quando o arquivo começa antes, no próprio serviço, com a criação dos fundos documentais.

Apontou ainda a falta de instrumentos de gestão, como planos de classificação e tabelas de seleção. Em vários ministérios, documentos de elevado valor, incluindo acordos internacionais, estão em condições precárias. Isso dificulta o acesso à informação e a transparência administrativa.

Perante a carência de quadros, o Presidente propôs à Uni-CV a criação de um curso superior em Ciência da Informação, que integre de forma inovadora a Arquivística, a Biblioteconomia e a Museologia. A ideia é elevar a formação para além dos atuais cursos técnicos de nível 5. Assim, os futuros gestores ficariam preparados para lidar com a preservação digital e a organização de dados complexos.

Para o Pró-reitor Adilson Semedo, a parceria é decisiva para revitalizar áreas do saber que são pilares da identidade nacional, como o curso de História e Gestão Patrimonial. Num país que aposta nos serviços e no turismo, defendeu, a componente histórica é essencial para promover e "vender" Cabo Verde com qualidade. Semedo destacou o papel da Cátedra UNESCO da Uni-CV e classificou o Instituto do Arquivo Histórico Nacional como um "laboratório vivo" para investigadores e estudantes.

Já o Pró-reitor António de Jesus centrou-se na necessidade de inovar a oferta formativa para atrair mais estudantes. Com a gratuitidade do ensino superior anunciada pelo Governo, argumentou, o desafio deixa de ser a bolsa de estudos e passa a ser a criatividade e a inovação capazes de tornar atrativos cursos tradicionalmente menos procurados.

 

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