
A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) realizou, a 15 de julho, uma sessão pública sobre os progressos do projeto "Smart Solutions for Water and Agriculture to Face the Climate Change Crisis in Cabo Verde" (SSWAxC4V), o único atualmente financiado no país pelo programa pan-africano ARISE. A sessão fez parte da visita oficial de monitorização e avaliação da African Academy of Sciences (AAS) e decorreu no edifício 5 da Uni-CV, no Campus do Palmarejo Grande. Participaram investigadores, decisores políticos, parceiros institucionais e representantes de organizações internacionais.
O SSWAxC4V é financiado pela União Europeia e pela União Africana, através do programa African Research Initiative for Scientific Excellence, Pilot Programme (ARISE-PP), gerido pela African Academy of Sciences. É, para já, o único projeto apoiado por este programa em Cabo Verde.
Num país marcado pela seca crónica e pela escassez severa de água, onde apenas 7,8% do território é considerado terra arável, o projeto testa redes de sensores sem fios e sistemas de gestão de água baseados em Internet das Coisas (IoT) e Inteligência Artificial (IA) para otimizar os recursos agrícolas.
Entre os resultados já alcançados está a criação do RS2Lab, laboratório de referência em IoT e IA inaugurado em novembro de 2023, com a presença do Presidente da República e do Embaixador da União Europeia. O laboratório reúne 9 docentes e investigadores e 20 estudantes de licenciatura, mestrado e doutoramento.
"O objetivo é perceber como podemos adaptar as novas tecnologias à realidade de Cabo Verde. Escolhemos as áreas da agricultura e da água porque são setores estratégicos e onde estas soluções podem trazer benefícios concretos", afirmou a investigadora principal, Sónia Semedo.
Ela reconheceu também as dificuldades do processo. "Quando idealizamos um projeto, nem sempre antecipamos desafios como a aquisição de equipamentos, os atrasos na alfândega ou a necessidade de adaptar as soluções às infraestruturas, aos recursos humanos e à realidade nacional." Mesmo assim, garantiu que a equipa já colhe os primeiros resultados do trabalho construído nos últimos anos, sobretudo nas áreas da inteligência artificial e da internet das coisas.
O projeto está no quarto dos cinco anos previstos de execução e é auditado agora pela African Academy of Sciences, que quer ajustar a trajetória até o encerramento oficial.