A Reitora da Universidade de Cabo Verde, Professora Astrigilda Pires Rocha Silveira, participou na segunda-feira no 4.º Fórum dos Reitores das Universidades dos Países de Língua Portuguesa, realizado em Macau em simultâneo com o XXXV Encontro da AULP. Em nome da Uni-CV, a responsável saudou os participantes e reiterou a importância do Fórum enquanto «plataforma estratégica para o fortalecimento das redes universitárias no espaço lusófono».
Perante reitores e autoridades académicas de vários países, a Reitora traçou o retrato de um tempo marcado por profundas transformações globais (tecnológicas, ambientais, sociais e económicas) que obrigam as universidades a redefinir continuamente o seu papel. Mais do que centros de ensino, defendeu, as instituições são hoje chamadas a ser “motores de inovação, inclusão social, desenvolvimento sustentável e cidadania ativa”.
O tema do encontro é como fortalecer os laços académicos e culturais entre a Grande Baía, Macau-Hengqin e os países de língua portuguesa. A esse propósito, Astrigilda Silveira sustentou que a resposta “passa inevitavelmente pelas universidades”, atores estratégicos que produzem conhecimento, formam recursos humanos qualificados e ajudam a construir sociedades mais resilientes. Para cumprir essa missão, acrescentou, é indispensável “trabalhar em rede”.
No centro da intervenção esteve o apelo a uma nova etapa de cooperação. A experiência da AULP em programas de mobilidade e projetos internacionais é “encorajadora”, reconheceu, mas “chegou o momento de avançarmos» para uma cooperação que não se esgote na mobilidade e seja «sobretudo oportunidade de coprodução de conhecimento”: mais investigação conjunta, mais laboratórios colaborativos, mais doutoramentos em associação, mais centros de excelência partilhados e mais ciência produzida em rede.
A Reitora destacou ainda as oportunidades abertas pela crescente aproximação entre a China e os países de língua portuguesa. Atribuiu a Macau “condições únicas”, pela sua história, posição geográfica e ligação privilegiada ao mundo lusófono, para funcionar como plataforma de cooperação académica, científica e tecnológica. Essa cooperação, ressalvou, deve responder a desafios concretos nas áreas da educação, saúde, energia, segurança alimentar, sustentabilidade ambiental e transformação digital, com foco nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Astrigilda Silveira apresentou Cabo Verde como “nação insular” que se vem afirmando como espaço de inovação educativa e de diálogo intercultural, e assumiu o compromisso da Uni-CV de “promover pontes entre continentes, saberes e gerações”. O Fórum, concluiu, não é apenas um momento de encontro institucional, mas “um espaço de construção de futuro”, em que as universidades lusófonas se afirmem como protagonistas de “uma comunidade académica global, solidária e competitiva”.
A Reitora encerrou a intervenção com um agradecimento às instituições participantes e aos organizadores do 4.º Fórum, e com o desejo de que o encontro fosse “terra fértil para ideias e compromissos”, capazes de estreitar os laços entre as universidades de língua portuguesa.