
A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), a Cátedra Eugénio Tavares de Língua Portuguesa e o Camões – Centro de Língua Portuguesa na Cidade da Praia promovem, esta terça-feira, 9 de junho, o segundo e último dia do VII Encontro Cabo-verdiano de Língua Portuguesa, a edição que marca a estreia dos Jogos Cabo-verdianos Universitários da Língua Portuguesa, uma iniciativa dirigida a estudantes do ensino superior que pretende transformar a aprendizagem da língua numa experiência competitiva e lúdica. O encontro decorre no Campus de Palmarejo Grande, na cidade da Praia.
Os Jogos recorrem a artefactos e estruturas digitais desenvolvidos pelo Camões - Centro de Língua Portuguesa, no âmbito do Programa de Aprendizagem de Português em Contextos Multilingues e Multiculturais. É a primeira vez, em sete edições, que o fórum integra uma componente desta natureza, alargando ao plano lúdico um espaço até aqui sobretudo dedicado à investigação científica.
Sob o tema “A Língua Portuguesa em Contextos Multilingues e Multiculturais”, o encontro reúne investigadores e especialistas de Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Brasil, Portugal e Itália. Em debate estão o bilinguismo, a educação bilingue, a didática de línguas, a linguística, a literatura, a história e a antropologia.
Na sessão de abertura, na segunda-feira, a diretora do Camões - Centro de Língua Portuguesa, Mariana Faria, sublinhou o sentido plural do projeto. “Reafirmar a língua portuguesa como um espaço de liberdade, de criação, de futuro” é, defendeu, “o sentido maior deste encontro”.
Por sua vez, o pró-reitor da Uni-CV, Adilson Semedo, em representação da reitora Astrigilda Silveira, sustentou que Cabo Verde “nasceu para a língua portuguesa quando nasceu para a vida”, descrevendo a coabitação secular entre o português e a língua cabo-verdiana como traço central da identidade do arquipélago.
Presente na sessão de abertura, a diretora da Cátedra Eugénio Tavares de Língua Portuguesa, Fátima Fernandes, sublinhou o propósito prático do encontro: “usarmos estes nossos dois dias para mostrar como é que é possível fazermos ponte entre as atividades de investigação e a prática de sala de aula”. Saudou ainda os professores e estudantes das escolas secundárias presentes, a par dos investigadores convidados das universidades de Roma La Sapienza, Nova de Lisboa, Minho, Estadual Paulista e Santiago.
O programa científico inclui comunicações sobre investigação transnacional, oficinas didáticas certificadas e a apresentação de obras científicas, da autoria de Júlio Siga e Luís Rodrigues. Destaque ainda para a reedição do romance O Escravo, de José Evaristo d’Almeida, um marco da literatura cabo-verdiana.
Esta terça-feira, o programa prossegue de tarde com painéis sobre o repertório linguístico da comunidade cabo-verdiana em Itália (14h30) e sobre paisagens linguísticas e educação escolar (15h30). A reedição de O Escravo é apresentada às 17h00, na Mediateca da Uni-CV, antes da sessão de encerramento, marcada para as 18h30.
A iniciativa é organizada pela Uni-CV, pela Cátedra Eugénio Tavares de Língua Portuguesa e pelo Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, através do Centro de Língua Portuguesa na Cidade da Praia, com o apoio do Ministério da Educação de Cabo Verde, do Instituto Internacional da Língua Portuguesa e de outros parceiros institucionais. A programação alinha-se com as comemorações dos 30 anos da CPLP.