
A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) marcou presença, na passada sexta-feira, 30 de maio, em mais uma etapa do programa Bridge to Africa, em San Cristóbal de La Laguna, Tenerife, onde uma dezena de dirigentes máximos de instituições académicas africanas e canárias debateu, na Aula Magna do Edifício Central da Universidade de La Laguna (ULL), os caminhos para uma cooperação estruturada e sustentada no tempo entre os dois lados do Atlântico. Representada pela reitora Astrigilda Pires Rocha Silveira, única mulher entre os participantes com funções de reitora, a Uni-CV integrou a mesa dedicada aos desafios financeiros e de governança das universidades africanas e canárias.
Lançado pelas duas universidades públicas das Canárias, o Bridge to Africa procura criar um espaço comum de trabalho académico na África Ocidental, com uma plataforma docente e investigadora partilhada. Os promotores reconhecem que a iniciativa exigirá transformações profundas nas instituições envolvidas e um novo sistema de governança, capaz de articular realidades muito distintas, desde universidades consolidadas a instituições nascidas em contextos de cooperação internacional.
A jornada organizou-se em torno de três eixos: o intercâmbio de estudantes, o aprofundamento da cooperação académica e, por fim, a governança das universidades. Foi neste último painel, moderado pelo vice-reitor de Internacionalização e Cooperação da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria, Jin Taira, e presidido pelo reitor anfitrião, Francisco García, que a Uni-CV apresentou a sua leitura dos desafios que se colocam ao ensino superior cabo-verdiano.
Governança insular, financiamento e acesso
Na sua intervenção, a reitora Astrigilda Silveira abordou a complexidade de gerir uma universidade num sistema insular e sublinhou que a transformação digital é uma alavanca decisiva para a consolidação institucional da Uni-CV. A reitora chamou ainda a atenção para os desafios do modelo de financiamento do ensino superior, salientando que a limitada comparticipação pública aumenta a dependência das propinas, o que pode constituir um obstáculo ao acesso de muitos estudantes.
Astrigilda Silveira defendeu que a criação de uma plataforma académica como o Bridge to Africa pode influenciar profundamente a própria visão estratégica da Universidade de Cabo Verde, ao abrir caminho a alianças que permitam diversificar fontes de financiamento, reforçar a investigação e ampliar a mobilidade de docentes, investigadores e estudantes.
Uma agenda de projetos estruturantes
No encontro, a reitora apresentou um conjunto de projetos e desafios que se propõe implementar através de alianças estratégicas, alinhados com a agenda de modernização da Uni-CV. Entre eles destacam-se: Criação de um Observatório de Políticas Públicas; Implementação operacional do Centro de Empreendedorismo e Prestação de Serviços; Investigação aplicada, inovação e empreendedorismo; Transformação digital e transição energética; Reforço da internacionalização e parcerias estratégicas; Aposta na economia azul e na economia verde; Rede de ensino à distância para a formação de mestrados e doutoramentos; Centro Atlântico de Tecnologia e Centro Atlântico de Inteligência Artificial; Certificação de laboratórios.
São desafios e projetos que apresentei para serem implementados com a criação de alianças estratégicas”, sintetizou a reitora, deixando clara a intenção da Uni-CV de encarar o Bridge to Africa não como um evento pontual, mas como uma plataforma estratégica multidimensional e permanente de cooperação, capaz de promover parcerias, inovação e desenvolvimento sustentável.
No encerramento da sessão, o reitor da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria, Luís Serra, defendeu que o projeto consiste em construir “pontes reais entre as instituições” e que as universidades “devem ser espaços abertos ao mundo”. Francisco García deixou uma mensagem na mesma linha: “África é o futuro, pela potencialidade de crescimento económico e pelo dinamismo geográfico. África e as universidades devem aproximar-se e trabalhar conjuntamente.”