Investigação apoiada pela Fundação Michael J. Fox revela que Cabo Verde tem características genéticas únicas para o estudo de doenças neurodegenerativas.

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A Doença de Parkinson afeta milhões de pessoas no mundo e continua a ser um enorme desafio para a medicina. Contudo, pode ser nas características genéticas únicas do povo cabo-verdiano que reside uma peça fundamental para o futuro dos tratamentos.

Foi com esta perspetiva que o Centro de Investigação em Saúde da Universidade de Cabo Verde (NEST/Uni-CV) promoveu, nesta quarta-feira (25 de março), a sessão científica "Doença de Parkinson: o que a genética pode revelar sobre o futuro da saúde em Cabo Verde". O encontro, realizado no Edifício 8 do Campus do Palmarejo Grande com estudantes de Ciências e Tecnologia, foi conduzido pelo Professor Joaquim Ferreira, neurologista e Subdiretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FM-ULisboa).

Durante a apresentação, o Professor Joaquim Ferreira explicou que a herança genética de Cabo Verde, historicamente marcada pela miscigenação, incluindo ascendências portuguesas e judaicas, apresenta uma elevada frequência de determinadas mutações associadas ao Parkinson. Este fator torna o país um território de "particular interesse científico" a nível mundial.

Esta relevância já está a ser mapeada no terreno. Dados preliminares de um estudo nacional, coordenado pela investigadora cabo-verdiana Leida Tolentino, identificaram uma proporção de formas clássicas da doença nas ilhas de Santiago, São Vicente e Santo Antão.

Para o neurologista português, os dados recolhidos representam uma oportunidade de mudar vidas. O especialista sublinhou que a identificação precoce das pessoas em risco é o primeiro passo para integrar os pacientes cabo-verdianos em ensaios clínicos internacionais, garantindo-lhes acesso a novos medicamentos que de outra forma não chegariam ao país. Para que este cenário avance, Joaquim Ferreira deixou um forte apelo à união de esforços entre a comunidade académica, médica e científica de Cabo Verde.

A esperança desta cooperação ganha ainda mais força através das parcerias já estabelecidas. A visita da equipa portuguesa à Praia nasceu do diálogo com a Fundação Doenças do Movimento de Cabo Verde (DDM-CV) e conta com o trabalho de campo do Serviço de Neurologia do Hospital Universitário Agostinho Neto. De sublinhar que a investigação tem o valioso apoio financeiro da Fundação Michael J. Fox, a maior rede global na busca pela cura da doença.

Sendo o Parkinson a segunda doença neurodegenerativa mais prevalente do mundo, e face ao envelhecimento da população, a ausência de tratamentos que travem a sua progressão é uma preocupação global. Com esta parceria, Cabo Verde posiciona-se não apenas como um ponto de estudo, mas como um ator ativo na ciência global em busca da cura.

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