Acordo com duração de quatro anos lança o projeto PhytoVal-Africa, que articula fitociências, medicina tradicional, inteligência artificial e proteção da biodiversidade. Assinatura coincidiu com a participação do Reitor no Salão Internacional da Agricultura.

O Reitor cessante da Universidade de Cabo Verde, José Arlindo Barreto, assinou no dia 25 de fevereiro de 2026, em Paris, um contrato de colaboração em investigação com a International Academy of Food and Phytomedicine Homology (IAFPH), representada pelo seu Secretário-Geral, Shixing Feng. O acordo, com duração de quatro anos, estabelece as modalidades de cooperação académica entre as duas instituições em questões ligadas ao nexo Alimentação-Saúde, no âmbito da Agenda One Health, com especial enfoque na valorização das plantas medicinais e das medicinas tradicionais africanas.
A assinatura ocorreu no contexto da missão oficial do Reitor a Portugal e França, que incluiu a presidência da reunião do Conselho de Administração da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) em Lisboa no dia 23 de fevereiro, e a participação no Salão Internacional da Agricultura em Paris, a convite da IAFPH, onde foram definidas as bases desta parceria. A deslocação, que decorreu entre 23 e 27 de fevereiro, representou assim uma semana de intensa atividade diplomática e científica para a Universidade de Cabo Verde.
O contrato nasce de uma constatação partilhada pelas duas instituições: a África enfrenta crises sanitárias, ecológicas e económicas que ameaçam a saúde pública, a segurança alimentar e a biodiversidade, ao mesmo tempo que possui um património inestimável de plantas medicinais e saberes tradicionais que permanece sub-explorado e insuficientemente protegido. O projeto PhytoVal-Africa, que constitui o anexo científico do acordo, propõe-se precisamente colmatar esta lacuna através de uma investigação pluridisciplinar que cruza as ciências da vida, as ciências humanas e sociais, o direito e a economia.
Cinco eixos de investigação
O projeto está estruturado em cinco eixos de trabalho complementares, desenhados para garantir uma abordagem integrada que vai desde o quadro regulamentar até à proteção dos consumidores, passando pelo desenvolvimento das fitociências e pela valorização económica dos saberes tradicionais.
WP1: Acesso às Plantas e Quadro Regulamentar - Análise do Protocolo de Nagoya e propostas de mecanismos equitativos de partilha de benefícios, reforçando a soberania dos Estados e a proteção dos saberes locais.
WP2: Fitociências e Soberania Científica - Caracterização botânica, química e farmacológica das plantas medicinais e formação de redes de investigação africanas.
WP3: Valorização Económica e Cadeias de Valor - Apoio à agroindústria, produção de medicamentos tradicionais melhorados, certificação e estruturação de cadeias de valor locais.
WP4: Proteção dos Consumidores - Elaboração de quadros regulamentares para a qualidade e segurança dos produtos, reconhecimento dos praticantes tradicionais e equidade no acesso aos cuidados.
WP Transversal: Género, Inteligência Artificial, Biodiversidade e Sustentabilidade - Integração da IA na análise de dados etnobotânicos, inclusão das mulheres nas cadeias de valor, e promoção de práticas respeitadoras do ambiente e dos saberes locais.

O acordo define obrigações concretas para ambas as partes. A Uni-CV compromete-se a aportar a sua experiência, rede científica e realizações na área das plantas medicinais e do nexo Alimentação-Saúde, podendo igualmente afetar pessoal científico e contribuir para a aquisição de equipamentos de terreno. A IAFPH, por seu lado, disponibiliza instrumentos de apoio financeiro à investigação, incluindo o financiamento de colóquios, prémios académicos para doutorandos e jovens investigadores, mobilidades, programas de investigação e equipamentos de laboratório.
Como primeiro passo concreto, a IAFPH financiará a participação na organização das 4.as Jornadas das Medicinas Tradicionais, a realizar na Universidade de Medicina Chinesa de Henan, em Zhengzhou, com um investimento de 30.000 euros, além de 3.000 euros para a publicação das respetivas atas científicas. As duas instituições comprometem-se ainda a conjugar competências para responder conjuntamente a concursos de projetos e a valorizar a investigação comum em publicações académicas, incluindo a criação de uma revista científica pluridisciplinar dedicada às plantas medicinais africanas.
A responsabilidade científica do projeto cabe, do lado da Uni-CV, à Professora Nadir Alves Cardoso, que acompanhará o desenrolar das investigações, e do lado da IAFPH, ao próprio Shixing Feng. Os responsáveis científicos terão a missão de acompanhar o programa de trabalho, propor ajustamentos e submeter propostas de proteção e valorização dos resultados obtidos.