
A criação de materiais pedagógicos com recurso à inteligência artificial é um dos temas do IV Colóquio dos Professores de Francês, que decorre na Uni-CV. Para o presidente da associação de professores, estas ferramentas podem ajudar a ultrapassar dificuldades na preparação das aulas.
A utilização da inteligência artificial para criar materiais pedagógicos e apoiar o ensino do francês está em foco no IV Colóquio dos Professores de Francês, que decorre até 18 de setembro, na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), na Praia. O encontro inclui um módulo dedicado à integração do digital e da inteligência artificial nas práticas de sala de aula, dirigido a docentes dos ensinos básico e secundário.
Em entrevista, o presidente da Associação dos Professores de Francês de Cabo Verde (APROF-CV), Paul Mendes, identificou a disponibilidade de recursos como um dos desafios enfrentados pelos docentes. “Muitas vezes, há professores que se queixam de não terem materiais adequados para ensinar a língua”, afirmou.
Segundo o responsável, as ações de formação contínua e a utilização de ferramentas de inteligência artificial podem ajudar os professores a responder a essas dificuldades, permitindo-lhes elaborar os seus próprios materiais e testes. Trata-se, na sua perspetiva, de uma oportunidade para reforçar os meios de que dispõem na preparação das aulas.
A integração destas ferramentas faz parte de um trabalho mais amplo de atualização das práticas pedagógicas. Além do recurso ao digital, o colóquio aborda estratégias para estimular a concentração, a motivação e a participação dos alunos, com particular atenção ao desenvolvimento da expressão oral.
“O objetivo é levar o aluno a praticar a língua estrangeira de forma fluente”, explicou Paul Mendes, também docente da Uni-CV e diretor do mestrado em Ensino do Francês como Língua Estrangeira. O responsável salientou que a dificuldade dos alunos em utilizar a língua constitui uma das questões a que a formação procura responder.
Os conteúdos do encontro resultam das aprendizagens de 16 docentes cabo-verdianos que participaram, em julho de 2026, no programa de formação BELC, em França. A experiência incluiu a utilização de novas ferramentas, o desenvolvimento da expressão oral e escrita e estratégias para promover a motivação e a coesão dos grupos em sala de aula.
Depois da apresentação dos oito módulos, no dia 16 de setembro, o programa reserva os dias 17 e 18 para oficinas práticas. Entre os conteúdos complementares estão a utilização dos recursos da TV5MONDE, as atividades de fonética, a exploração das artes visuais e o ensino da gramática numa abordagem orientada para a ação.
Paul Mendes considera que as formações contínuas promovidas pela associação desde 2021 têm contribuído para uma melhor preparação dos professores. A partilha de conhecimentos deverá prosseguir noutras ilhas, através dos docentes que participaram na formação em França, com acompanhamento da APROF-CV.
O IV Colóquio dos Professores de Francês é organizado pela Uni-CV, através da Coordenação de Estudos Franceses e do Instituto de Língua Francesa, em parceria com a APROF-CV. A iniciativa conta com o apoio da Cooperação Francesa, através do projeto Fonds Équipe France, e tem como tema “Partilha de experiências e inovações pedagógicas no ensino e na aprendizagem do francês como língua estrangeira”.

