
Oito dos dez jovens selecionados para a segunda edição do Curso de Verão na China partilham sonhos, motivações e expectativas antes da partida. Entre eles está uma antiga concorrente do concurso “Ponte Chinesa” e uma estudante que troca temporariamente a Universidade Católica de Lille por Guangzhou.
Entre os dez estudantes cabo-verdianos que esta semana partem para a China, no âmbito da segunda edição do programa “Ponte Chinesa”, há histórias de reencontro, sonhos antigos e curiosidade recém-descoberta pela língua e cultura chinesas. À margem da cerimónia de despedida no Instituto Confúcio da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), oito dos selecionados partilharam o que a viagem representa para cada um.
Para Cyara Fabiula Soares Benoliel, da Escola Secundária Abílio Duarte, a viagem não é uma novidade: no ano passado representou Cabo Verde no concurso de língua chinesa «Ponte Chinesa» e este ano regressa à China para assistir a aulas de mandarim. “Acredito que isso é muito bom para mim, pois poderei aprender mais sobre a língua e a cultura, que tanto me fascinam”, afirma, acrescentando que o seu maior objetivo é “absorver o máximo de aprendizado possível” e fazer novos amigos.
Já Jovane de Jesus Miranda Martins, estudante da licenciatura em Estudos Chineses na Uni-CV, descreve a viagem como “a realização de um sonho” nascido ainda na Escola Secundária Fundação Infância Feliz, na Calabaceira, Cidade da Praia, quando teve o primeiro contacto com a disciplina de mandarim. “Continuei a estudar e a esforçar-me bastante. Hoje, graças a Deus, estou a realizar o meu sonho de viajar”, conta, adiantando que pretende aprofundar os estudos em língua e cultura chinesas na universidade.
Entre os selecionados está também Nayuma Alves Handem, que estuda na Universidade Católica de Lille, em França. Para ela, a oportunidade de conhecer um país que só via «através das redes sociais e dos meios de comunicação» representa «algo muito grande». «Acredito que esta experiência me ajudará a ter uma visão diferente sobre o mundo», diz.
Outros estudantes destacam a curiosidade e a ansiedade da véspera. Adylan Christian Santos da Luz, da Escola Salesiana de Artes e Ofícios, diz esperar “aprender muita coisa” numa experiência que sabe ser “completamente diferente do habitual”. Madalene Mayara Brito Vieira, da Escola Secundária Polivalente Cesaltina Ramos, junta ao interesse pela cultura chinesa um gosto declarado pela tecnologia e admite já pensar no regresso: quer “incentivar outros cabo-verdianos a estudar lá”, sem excluir um futuro curso na área tecnológica.
Já com formação em língua chinesa pelo Instituto Confúcio, Melany Pina Gomes Rocha diz querer aproveitar “cada momento” da mobilidade para “desenvolver uma boa compreensão da língua chinesa” e da cultura local. Neidiane Larissa Gonçalves Fernandes, da Escola Técnica Grão-Duque Henri, e Janine Cabral, da Escola Secundária Regina Silva, partilham expectativas semelhantes: aprofundar conhecimentos e aplicar na prática o que aprenderam nas aulas. Janine acrescenta ainda o objetivo de melhorar a pronúncia do mandarim.
Os oito testemunhos juntam-se aos de outros dois estudantes da comitiva e traçam um retrato plural da nova geração de jovens cabo-verdianos que estuda chinês: do ensino secundário à universidade, de escolas públicas a instituições no estrangeiro. Todos seguem juntos na mesma viagem, que arranca a 11 de julho rumo a Guangzhou e Guilin.