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A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) celebrou, esta quinta-feira, 10 de setembro, o 24.º Dia da Medicina Tradicional Africana, promovido pela Associação Cabo-verdiana de Medicina Tradicional Africana e Práticas Complementares (MeTrA-PraC), em parceria com a área de Enfermagem da Uni-CV. Na Sala António Correia e Silva, no Campus do Palmarejo Grande, académicos, profissionais de saúde, praticantes da medicina tradicional e decisores políticos reuniram-se para debater o papel deste saber ancestral na saúde dos tempos atuais, sob o tema “O Papel da Medicina Tradicional Africana na Saúde nos Tempos Atuais”.

A sessão de abertura contou com a presença do Secretário de Estado para a Saúde, Artur Veiga, da Presidente da MeTrA-PraC, Sílvia Ramos, e da Reitora da Uni-CV, Astrigilda Silveira, que sublinhou que falar de medicina tradicional africana "não é apenas rever práticas do passado", mas discutir "património, investigação, educação, saúde e futuro". Para a Reitora, cabe à universidade criar condições para documentar, estudar e transmitir estes saberes com rigor científico, sem os transformar em "peça de museu".

Por sua vez, a Presidente da MeTrA-PraC recordou que mais de 80% da população do continente africano continua a recorrer à medicina tradicional. Ao desafiar a sala com a pergunta "quem é que já usou, para si ou para os seus, a medicina tradicional?", respondeu ela própria: "Eu já usei. Somos muitos." Ramos defendeu que o desafio atual não é escolher entre tradição e ciência, mas garantir que esse uso seja regulamentado, seguro e sustentável.

No seu discurso, Veiga reafirmou o compromisso de Cabo Verde com "um sistema de saúde moderno, resiliente, inclusivo e centrado nas pessoas", que valorize o conhecimento tradicional sem abdicar da evidência científica e da segurança dos utentes. Antes de discursar, Veiga visitou a exposição de plantas medicinais montada no corredor e recordou, emocionado, memórias de infância ligadas aos chás e às plantas usadas em Cabo Verde, defendendo que só o esclarecimento junto da população permitirá maior recetividade à medicina tradicional.

A celebração deste ano ganha particular relevância no contexto da Estratégia Global de Medicina Tradicional 2025-2034, da Organização Mundial da Saúde, que aponta para o reforço da evidência científica e da regulamentação das práticas tradicionais. A programação prossegue até 11 de setembro com a exposição "Naturoteca", no átrio da Mediateca da Uni-CV, dedicada às plantas e ervas medicinais cabo-verdianas, e inclui ainda, na tarde de hoje, as oficinas "Roda de Medicina Africana" e "Farmácia Viva da Mulher".

Entre discursos e testemunhos pessoais, a mensagem que ficou foi de convergência: unir o saber ancestral à investigação científica, para que a medicina tradicional continue a servir a saúde do povo cabo-verdiano com segurança e reconhecimento.