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Dezasseis estudantes do 3.º ano de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) percorreram de noite a praia de Barreiro, na Ilha do Maio, ao lado dos técnicos que vigiam a desova das tartarugas marinhas. A vigília foi o ponto alto de uma aula de campo realizada entre 3 e 5 de julho de 2026, financiada pela INPHARMA e conduzida no terreno pela Fundação Maio Biodiversidade (FMB).

Na noite da vigília, as tartarugas desovaram antes da chegada do grupo à praia. Ainda assim, os estudantes acompanharam, passo a passo, o processo de vigilância: como se detetam rastos e ninhos, quais as ameaças que pesam sobre estas espécies (sobretudo de origem humana) e que medidas de mitigação já estão implementadas no terreno.

A vigília fechou um programa de três dias de imersão científica. Os estudantes, das vertentes Ambiente e Ensino, acompanhados pela professora Clementina Furtado, percorreram a ilha com os técnicos da FMB, que explicaram a ecologia local, os padrões de biodiversidade e os projetos de conservação em curso, além das estratégias usadas para sensibilizar as comunidades, com foco na biodiversidade marinha e na proximidade com a população local.

Cabo Verde acolhe uma das maiores populações nidificantes de tartaruga-comum (Caretta) do mundo, e a Ilha do Maio é um dos seus principais locais de desova. Proteger estes ninhos tem peso nacional e também internacional, e foi essa realidade que os futuros biólogos e professores viram de perto.

Parceira de longa data da Uni-CV, a FMB, liderada pela geógrafa Janete Agues e com a equipa no terreno coordenada por Daniel Ulisses Santos, guiou cientificamente a visita, além de assegurar o transporte interno e promover momentos de convívio com o grupo.

A aula de campo dependeu de uma rede de parcerias. A Uni-CV tratou da logística da estadia; a INPHARMA financiou a deslocação inter-ilhas, o maior desafio logístico da iniciativa; a Delegação do Ministério da Educação no Maio cedeu o espaço de alojamento; e a Câmara Municipal do Maio disponibilizou colchões para o descanso do grupo. As refeições ficaram a cargo de restaurantes locais da Cidade de Porto Inglês e de Pilão Cão.

Os 16 estudantes regressaram com registos de observação, experiência direta de monitorização ambiental e contacto com o trabalho comunitário de conservação. Para a Uni-CV, a iniciativa reforça a formação de biólogos e professores que conhecem a conservação a partir do terreno, e não só da sala de aula. Muitos destes estudantes estarão, dentro de poucos anos, nas escolas e nos projetos ambientais do país.

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