
A segurança dos alimentos e o uso seguro dos medicamentos estiveram no centro de um seminário promovido pela Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), na terça-feira, 17 de junho, no Auditório do Edifício 8, no Campus do Palmarejo Grande, na Praia.
Intitulado “Avaliação e Gestão de Riscos Alimentares & Erros de Medicação”, o encontro reuniu estudantes, docentes e representantes da Entidade Reguladora Independente da Saúde (ERIS), numa sessão orientada para a partilha científica, a prevenção e a ligação entre academia, regulação e sociedade.
Na abertura, a presidente da FCT, professora Carina Fernandes, sublinhou que os dois temas têm impacto direto na saúde pública e na qualidade dos serviços prestados à população. Para a responsável, a investigação académica deve ajudar a transformar “conhecimento em impacto social” e “evidência em proteção efetiva para as pessoas”.
O seminário abordou dois eixos principais: a avaliação e gestão de riscos alimentares e os erros de medicação, desde a prescrição até à terapêutica. A discussão partiu de uma ideia central: nem todos os perigos representam o mesmo nível de risco, e as decisões públicas devem ser baseadas em dados, análise científica e comunicação clara com a população.
Na intervenção dedicada aos riscos alimentares, uma especialista da ERIS, Marlene Gomes, explicou a diferença entre perigo e risco, recorrendo a exemplos do quotidiano. Uma barbatana no mar, por exemplo, pode indicar um perigo potencial; o risco depende da exposição, da probabilidade de dano e da gravidade das consequências.
A partir dessa analogia, a oradora mostrou como funciona a análise de risco no setor alimentar, assente em três pilares: avaliação científica, gestão regulatória e comunicação entre autoridades, operadores económicos, consumidores e academia.
Um dos exemplos apresentados foi a presença de mercúrio no pescado em Cabo Verde. Segundo a exposição, o metilmercúrio merece atenção por ser uma substância com potencial neurotóxico, sobretudo para grupos mais vulneráveis, como grávidas, lactentes e crianças pequenas.
A especialista explicou que espécies predadoras de grande porte, como o atum e a serra, podem acumular maiores concentrações de mercúrio ao longo da cadeia alimentar. Ainda assim, frisou que a avaliação do risco exige cruzar dados laboratoriais, padrões de consumo e limites de segurança, evitando conclusões generalizadas ou medidas desproporcionais.
A sessão destacou ainda a importância de sistemas robustos para reduzir erros de medicação. Da prescrição à terapêutica, existem vários pontos críticos em que a formação, a padronização de procedimentos, a comunicação entre profissionais e a monitorização contínua podem prevenir falhas.