Parceria com a UTAD consolida-se com mais candidaturas e uma capacitação crescente dos docentes nacionais. Aula inaugural apresentou projeto de IA aplicada à agricultura.

Dezoito novos estudantes iniciaram a segunda edição do Mestrado em Engenharia Informática da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), numa cerimónia no Campus do Palmarejo Grande. O programa, desenvolvido em parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), traz um sinal de maturidade: a maioria dos módulos é agora lecionada por docentes da casa, invertendo o modelo da primeira edição.
O Reitor José Arlindo Barreto, num dos últimos atos do seu mandato, recordou que Cabo Verde precisa cada vez mais de profissionais preparados para o trabalho em rede e à distância, e que a cibersegurança exige engenheiros qualificados. Destacou publicamente o trabalho do Pró-Reitor Celestino Barros e de toda a equipa da Faculdade de Ciências e Tecnologia, liderada pela Presidente Maria dos Anjos.
Nos ecrãs, ligado via Zoom desde Portugal, o Pró-Reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) assistia ao que considera uma “cooperação exemplar”. A UTAD confirmou, pela voz do Pró-Reitor Frederico Branco, que a colaboração prossegue e que a equipa portuguesa estará sempre disponível para aprimorar uma parceria que ambas as instituições descrevem, sem reservas, como exemplar. Para os 18 novos mestrandos que iniciaram este percurso, o recado é claro: o país precisa deles, e o mundo digital não vai esperar.
O Diretor do Mestrado, Júlio Barros, apresentou os ajustes pedagógicos desta edição: as aulas passam a funcionar em blocos de três horas dedicados a uma única disciplina, corrigindo o modelo repartido da primeira edição. A UTAD continua representada pelo Professor Hugo Paredes, descrito por Júlio Barros como um dos mentores do programa, que leciona em regime misto com uma semana presencial por semestre em Cabo Verde.
O Professor José Olavo da Paz Teixeira, investigador do RS²Lab, apresentou o AgroPraga - um assistente virtual inteligente que ajuda agricultores a combater a lagarta-do-cartucho do milho, praga que chegou a Cabo Verde em 2017 e tem devastado culturas. O sistema usa redes neurais para identificar pragas a partir de imagens captadas pelos próprios agricultores, combinando ciência cidadã com inteligência artificial.
O AgroPraga ilustra a filosofia do mestrado: formar engenheiros que não se limitem a escrever código, mas que identifiquem problemas reais e criem soluções com impacto social.
Ao declarar aberta a segunda edição, o Reitor Barreto afirmou sair com a certeza de que quem lhe suceder terá razões para aprofundar a cooperação com a UTAD.