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Formação de quadros, avaliação de políticas públicas, transformação digital e capacitação dos municípios estão em cima da mesa numa possível parceria entre a universidade e o Ministério da Reforma do Estado

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A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) reuniu-se esta sexta-feira com o ministro da Reforma do Estado, Poder Local e Descentralização, José Casemiro de Pina, para identificar áreas de cooperação que ponham o conhecimento da academia ao serviço da modernização da Administração Pública e do poder local.

O encontro decorreu no ministério, no Plateau, num edifício que já acolheu a reitoria da Uni-CV. A delegação da universidade foi liderada pela reitora, Astrigilda Silveira, e integrou o administrador-geral, José Lino Gomes Correia, e o pró-reitor para a Investigação, Inovação e Extensão, Adilson Semedo. O ministro fez-se acompanhar pelo diretor do gabinete, Adilson Gonçalves.

Astrigilda Silveira mostrou-se disponível para que a universidade assuma um papel mais ativo como parceira científica e técnica do Estado. A universidade colocaria as competências dos seus docentes, investigadores e estruturas especializadas ao serviço da formulação, implementação e avaliação das políticas públicas. “Queremos que a Universidade de Cabo Verde seja um parceiro estratégico do Governo, e não apenas uma beneficiária de transferências do Estado”, afirmou a reitora.

A proposta passa por uma cooperação orientada para resultados concretos, que articule as prioridades do Governo com a missão de ensino, investigação e extensão da Uni-CV. Entre as áreas identificadas estão a realização de estudos e diagnósticos institucionais, avaliação de políticas públicas, simplificação administrativa, governação baseada em evidências e modernização dos serviços públicos.

A reitora apresentou ainda a possibilidade de desenvolver programas de formação contínua e de curta duração para funcionários da Administração Pública e dos municípios, adaptados às necessidades específicas dos serviços. A Escola de Negócios e Governação é uma das estruturas com potencial para essa colaboração, já que tem entre as suas áreas de intervenção a formação e a capacitação em administração pública e governação.

Transformação digital e políticas públicas

A transformação digital foi outro dos eixos debatidos. Astrigilda Silveira afirmou que a universidade está disponível para contribuir em áreas como digitalização de processos, interoperabilidade, inteligência artificial e automatização, associando a componente tecnológica à investigação sobre a organização e funcionamento da Administração Pública.

Foi ainda equacionada a criação de estruturas de produção de evidências, entre elas um observatório de políticas públicas e uma unidade de estudos e sondagens, para apoiar decisões públicas mais informadas.

Para a reitora, este tipo de cooperação permite reforçar uma das dimensões fundamentais da extensão universitária: transferir conhecimento para a sociedade e colocar a investigação ao serviço da resolução de problemas concretos. A Uni-CV dispõe de várias unidades de extensão e investigação, entre as quais o Centro de Empreendedorismo e Prestação de Serviços.

Estágios e capacitação dos municípios

A aproximação dos estudantes à Administração Pública mereceu também atenção. A Uni-CV propôs explorar oportunidades de estágios e experiências profissionais nos serviços centrais e municipais, contribuindo simultaneamente para a inserção dos estudantes no mercado de trabalho e para o reforço temporário das capacidades técnicas das instituições. “A integração de estudantes não se coloca apenas na administração pública central: coloca-se sobretudo nos municípios, onde há pendências de processos que resultam de insuficiência de pessoal”, apontou José Casemiro de Pina.

No domínio do poder local, foram discutidas necessidades de formação em matérias como gestão financeira, prestação de contas, administração municipal e reforço da autonomia financeira dos municípios. “As dificuldades na prestação de contas decorrem em boa medida da insuficiência e da falta de qualificação de pessoal, sobretudo nas áreas financeira, de contabilidade e de auditoria”, explicou o ministro.

José Casemiro de Pina reconheceu o potencial da Universidade para apoiar estes processos. “O Estado está disponível para um novo mandato de trabalho conjunto com a Universidade de Cabo Verde. Há muito trabalho a fazer no âmbito da reforma do Estado”, afirmou, admitindo “uma abertura muito grande”, que deverá concretizar-se num protocolo. O governante, nomeado em junho de 2026, tem formação em Gestão e Administração Pública e é pós-graduado em Gestão Pública pela Universidade de Cabo Verde.

A Uni-CV pretende ainda enquadrar os primeiros resultados desta aproximação nas comemorações dos seus 20 anos, em novembro. A aproximação prolonga a linha da atual equipa reitoral, que assume os princípios “Humanizar, Colaborar e Transformar” e defende uma universidade pública mais próxima do Estado, dos municípios e da sociedade.