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A Mediateca da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), na Praia, acolheu no dia 18 de junho de 2026 o fórum nacional "Integridade da Informação e Coesão Social em Contexto Eleitoral", uma iniciativa do Centro de Verificação de Factos de Cabo Verde (CV-Fact) para assinalar o Dia Internacional para Combater o Discurso de Ódio, instituído pelas Nações Unidas.

O encontro, que decorreu em formato híbrido, presencial e online, na Sala António Correia e Silva, foi organizado pelo CV-Fact, uma parceria entre a Autoridade Reguladora para a Comunicação Social (ARC), a Uni-CV e a Associação dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Reuniu representantes de instituições públicas, da academia, da sociedade civil e dos meios de comunicação social para debater os desafios da desinformação, do discurso de ódio e da inteligência artificial nos processos democráticos e na coesão social.

A sessão de abertura contou com intervenções da Presidente da ARC, Arminda Barros, do Representante Residente do PNUD em Cabo Verde, David Matern, e do Vice-Reitor da Uni-CV, João Medina, que participou online. Esteve também presente a Presidente da Comissão Nacional para os Direitos Humanos e a Cidadania (CNDHC), Eurídice Mascarenhas.

Na sua intervenção, Arminda Barros sublinhou que combater o discurso de ódio é, antes de mais, defender a dignidade humana, e apelou a um esforço conjunto que envolva o Governo, as Nações Unidas, as instituições públicas e privadas, as universidades, a sociedade civil, a comunicação social e as organizações religiosas. Destacou ainda o papel do CV-Fact na defesa da integridade da informação, contra a desinformação, a manipulação e a distorção dos factos.

David Matern alertou para os riscos acrescidos da desinformação e do discurso de ódio em contextos eleitorais, e lembrou que estes fenómenos atingem de forma desproporcional os grupos mais vulneráveis, com particular impacto sobre as mulheres na vida pública e política. Defendeu uma abordagem multissetorial, centrada na prevenção, na educação e no reforço da confiança pública. Reafirmou o compromisso do Escritório Conjunto do PNUD, do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Cabo Verde no apoio ao país nesta matéria, no ano em que o Escritório assinala duas décadas de presença no arquipélago.

Em representação da Uni-CV, o Vice-Reitor João Medina centrou a sua intervenção no conceito de agnotologia, o estudo da produção cultural da ignorância e da dúvida. Alertou para os efeitos de delegar o pensamento crítico a algoritmos opacos e para a necessidade de preservar a criatividade, o humor e a reflexão autónoma como formas de resistência à desinformação automatizada.

O programa organizou-se em dois painéis temáticos: "Discurso de Ódio, Desinformação e Inteligência Artificial: Diagnóstico e Tendências" e "Média, Plataformas e Coesão Social: o papel do jornalismo, as redes sociais e a cidadania digital". O primeiro painel reuniu o Coordenador do CV-Fact, Alfredo Pereira, a fundadora e coordenadora da Rede Nacional de Combate à Desinformação do Brasil (RNCD), Ana Regina Rêgo, em participação online, e a Presidente da CNDHC, Eurídice Mascarenhas, com moderação da jornalista Natalina Andrade, do jornal A Nação.

Ao longo do encontro, os participantes apontaram a literacia mediática, a verificação de factos e o acesso a informação credível como instrumentos para fortalecer a confiança pública e tornar os processos democráticos mais transparentes e inclusivos. O debate evidenciou também os impactos do discurso de ódio sobre os grupos mais vulneráveis e a necessidade de respostas institucionais e multissetoriais articuladas.

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