
A Reitora da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) e Presidente da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), Professora Astrigilda Pires Rocha Silveira, lançou na segunda-feira, 15 de junho, na Universidade de Macau (UM), um repto à comunidade lusófona ao abrir o XXXV Encontro da AULP: “a colaboração universitária internacional deixou de ser uma opção; passou a ser uma necessidade”. O evento, que decorre de 15 a 17 de junho, reúne mais de 150 representantes de instituições de ensino superior de Macau, Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Timor-Leste.
Sob o tema da colaboração universitária internacional e do reforço dos laços académicos e culturais entre a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, Macau-Hengqin e os países de língua portuguesa, a edição deste ano assinala os 40 anos da AULP. O encontro coincide ainda com o 45.º aniversário da Universidade de Macau e da Universidade Politécnica de Macau.
No seu discurso de abertura, Astrigilda Silveira descreveu Macau como um território “que transformou a diversidade em diálogo e a proximidade entre civilizações numa ponte permanente de colaboração”. Sublinhou que essa vocação de abertura faz da região um palco adequado para acolher o Encontro. Quatro décadas após a fundação da Associação, afirmou, a AULP construiu “muito mais do que uma associação”, construiu “confiança, redes, oportunidades, conhecimento e, sobretudo, uma verdadeira comunidade académica de língua portuguesa”.
A Reitora situou o papel das universidades num tempo de transformações profundas, marcado pela inteligência artificial, pela transição digital e pelas alterações climáticas, que desafiam de forma particular os pequenos Estados insulares e as comunidades costeiras. Neste quadro, defendeu, as instituições de ensino superior “não podem limitar-se a acompanhar a mudança”, devem liderá-la e formar profissionais altamente qualificados e cidadãos comprometidos com o desenvolvimento sustentável.
Para Astrigilda Silveira, a colaboração universitária internacional “deixou de ser uma opção» e passou a ser «uma necessidade”, já que nenhuma instituição, por mais forte que seja, responde sozinha aos grandes desafios globais. A Presidente da AULP apelou ao reforço da ciência colaborativa, da mobilidade académica e da partilha de infraestruturas e talento, e fez questão de que a língua portuguesa «continue a afirmar-se como uma língua de ciência, inovação e conhecimento».
No mesmo discurso, a Reitora endereçou uma palavra de reconhecimento ao Professor José Arlindo Barreto, anterior Reitor da Uni-CV e ex-Presidente da AULP, pelo trabalho desenvolvido ao serviço da Associação, e assumiu a continuidade do mandato “com humildade” e “com espírito de cooperação, diálogo e visão estratégica”.
Discursaram igualmente na cerimónia o Reitor da UM, Professor Yonghua Song, o Ministro da Educação, Ciência e Inovação de Portugal, Professor Fernando Alexandre, e a Secretária-Geral da AULP, Professora Cristina Montalvão Sarmento. Todos destacaram o papel de Macau como plataforma de intercâmbio no ensino superior entre a China e os países lusófonos.
Ao encerrar a sua intervenção, a Reitora manifestou o desejo de que o espírito de diálogo e cooperação que caracteriza Macau inspirasse os trabalhos e declarou «oficialmente aberto o XXXV Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa».