Iniciativa reúne na Praia 17 estudantes de mais de uma dezena de países para duas semanas dedicadas à resposta humanitária, à saúde e às deslocações.

Na Praia, a Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) e a Universidade de Santiago (UniSantiago) deram início, a 15 de junho, à Escola de Verão 2026 do Mestrado Erasmus Mundus em Resposta Humanitária, Saúde e Deslocamento (Human Response). É a primeira vez que uma edição com atribuição de créditos do programa decorre numa universidade africana.
Durante duas semanas, até 26 de junho, os participantes, provenientes de mais de uma dezena de países e de áreas como a medicina, a psicologia, o direito, a logística ou o jornalismo, vão combinar palestras, aprendizagem baseada em problemas, estudos de caso, exibição de documentários e visitas de campo. O programa contempla ainda uma simulação de crise humanitária, trabalho de campo em bairros de risco da Praia e a subida ao vulcão da ilha do Fogo.
Sob o lema «Reforçar a coordenação local e internacional na resposta a desastres naturais, problemas de saúde e deslocações», a iniciativa quer pôr a teoria em prática e cruzar o saber científico com o conhecimento local e a experiência internacional. A Escola de Verão resulta de um consórcio de sete universidades europeias e africanas, no âmbito do programa Erasmus Mundus, lançado em setembro de 2025.
“Este não é um evento académico vulgar”, afirmou o Professor Odair Barros Varela, diretor do programa em Resposta Humanitária, que descreveu Cabo Verde como “um país de encontro, resiliência e solidariedade”. O docente convidou os estudantes a “aprender com e a partir de África” e falou numa “pedagogia do desconforto”. Acrescentou que “a ação humanitária responsável começa com a reflexão sobre nós próprios”.
A coordenadora Adjunta do consórcio, Professora Cláudia Pereira, recordou o percurso do projeto: “Em 2022, quando nos candidatámos pela primeira vez, a proposta foi rejeitada. Persistimos, melhorámos a candidatura e, em 2023, conseguimos o financiamento.” Para a responsável, a edição deste ano “é um marco importante: é a primeira Escola de Verão do programa, com créditos, a realizar-se numa universidade africana”.
O diretor do programa em Resposta Humanitária na UniSantiago, Professor Nardi Souza, destacou o percurso de Cabo Verde, país que celebra 50 anos de independência: “Quase 100% das crianças estão matriculadas na escola. Isto mostra que não são precisos grandes recursos naturais para investir nas pessoas e oferecer a melhor educação possível.”
Por seu lado, a presidente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Uni-CV, Professora Carina Fernandes, salientou que, enquanto Pequeno Estado Insular em Desenvolvimento, Cabo Verde enfrenta desafios como a atividade vulcânica e as cheias, que serão objeto de estudo ao longo do programa. “Aproveitem ao máximo este período. Partilhem experiências, desafiem pressupostos e construam redes de colaboração que perdurem muito para além destas duas semanas”, apelou aos estudantes.
A Escola de Verão 2026 prossegue até 26 de junho, com seminários de empregabilidade que contam com organizações como a ONU, a Organização Mundial da Saúde, a Cruz Vermelha e a Proteção Civil. Termina com as atividades de campo na ilha do Fogo.