No ano em que se assinalam os 50 anos das relações diplomáticas entre os dois países, Instituto Confúcio levou ao palco do Centro Convenções nove apresentações musicais, discursos diplomáticos e momentos de cultura tradicional chinesa

Foi ao som de baladas chinesas interpretadas por jovens cabo-verdianos que o Instituto Confúcio da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) celebrou, na sexta-feira, 24 de abril, o 17.º Dia Internacional da Língua Chinesa, num evento que culminou com a final do Concurso da Canção em Chinês 2026.
Reunindo no centro de convenções da Uni-CV autoridades diplomáticas, académicos e estudantes vindos de várias escolas da ilha de Santiago, a cerimónia ganhou contornos particularmente simbólicos: 2026 marca os 50 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre a República Popular da China e a República de Cabo Verde, e foi designado pelas duas partes como Ano dos Intercâmbios Culturais China-África.
"A língua é muito mais do que um instrumento de comunicação: é um património vivo, um veículo de pensamento, uma ponte entre culturas", afirmou a Reitora da Uni-CV, Astrigilda Silveira, ao abrir oficialmente o evento. Citando Nelson Mandela, a Reitora sublinhou que a comunicação na língua do outro "deixa de ser apenas cognitiva e passa a ser também afetiva", e reafirmou o compromisso da universidade com o multilinguismo e a internacionalização do ensino superior.
No seu discurso, o Embaixador da China em Cabo Verde, Zhang Yang, descreveu a língua chinesa como "um mensageiro que atravessa os mares" e destacou o papel do Instituto Confúcio enquanto "prova importante do intercâmbio contínuo e aprofundado" entre os dois países. "Vamos dar as mãos para contar mais histórias comoventes sobre a amizade entre a China e Cabo Verde", apelou.
A sessão contou ainda com a presença do Embaixador de Cuba em Cabo Verde, Turte Lopes, do Conselheiro da Embaixada da China, Wang Xuan, da Diretora Nacional do Instituto Confúcio, de representantes das empresas e da equipa médica chinesa em Cabo Verde, bem como de dirigentes da Faculdade de Ciências Sociais, Humanas e Artes e da AMICACHI.
Sob o lema "Chinês: Iluminando Sonhos Coloridos", a final do concurso de canção apresentou dez actuações, entre solos, duos e grupos. Pelo palco passaram clássicos como "A Lua Representa o Meu Coração", interpretado em duas versões distintas, "Quando Ver a Lua Cheia" - adaptação de um poema de Su Shi -, "Não Vá Embora", "Adeus, Amigo" e "Eu Acredito", numa demonstração do nível alcançado pelos estudantes de mandarim na Uni-CV e nas escolas secundárias parceiras.
O grande prémio da noite foi atribuído a Cyara Soares, pela sua interpretação de "A Lua Representa o Meu Coração". O segundo lugar coube aos concorrentes Dahai e Daisi Lan; o terceiro lugar foi para Iana, Roxane e Silene. Os grupos das apresentações 1, 6 e 10 receberam o Prémio de Excelência.
Entre as actuações competitivas, o público assistiu ainda a momentos de cultura tradicional, com destaque para a dança "A Grande Liteira Vermelha", evocativa do casamento tradicional chinês, e para uma demonstração de indumentária e de dança com leques, executadas por alunos do ensino secundário.
Instituído pelas Nações Unidas em 2010 e celebrado a 20 de abril, data que coincide com o Guyu, a "Chuva dos Cereais" do calendário tradicional chinês, o Dia Internacional da Língua Chinesa é hoje assinalado em mais de 160 países. O Instituto Confúcio da Uni-CV, ao acolher pela 17.ª vez esta efeméride, reafirma o seu papel de plataforma privilegiada para a cooperação académica, linguística e cultural entre Cabo Verde e a China - um papel que, no ano dos 50 anos de relações bilaterais, ganha um peso especial.
A iniciativa tem como propósito promover a diversidade linguística e facilitar o diálogo e a aprendizagem mútua entre civilizações, afirmando-se ao longo dos anos como uma plataforma internacional para a difusão da língua e da cultura chinesas.
A edição de 2026 revesteu-se de particular significado por coincidir com dois momentos históricos: o 50.º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a República Popular da China e a República de Cabo Verde, e a designação de 2026 como o Ano dos Intercâmbios Culturais China-África, uma oportunidade para aprofundar o entendimento mútuo entre os dois povos e reforçar os laços de amizade entre a China e o continente africano.