
Encontro que reúne investigadores de Cabo Verde, Brasil, Portugal, Espanha e França decorre até 5 de junho, na Uni-CV, sob o tema “Manifestações socioculturais e educacionais no futebol contemporâneo”.
A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) acolheu, no dia 2 de junho, a cerimónia de abertura do V Colóquio Internacional INCT Futebol, um encontro científico internacional que, ao longo de quatro dias, transforma a cidade da Praia num espaço de reflexão crítica sobre o futebol enquanto fenómeno social, cultural, educativo, político e económico. O colóquio prolonga-se até 5 de junho.
Organizado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia - Estudos do Futebol Brasileiro (INCT Futebol), em parceria com a Uni-CV - através da Faculdade de Educação e Desporto e do CIGEF, e com várias instituições nacionais e internacionais, o evento decorre sobretudo no campus universitário, estendendo-se ainda ao Liceu Domingos Ramos e a outros espaços da capital. A escolha de Cabo Verde está ligada ao momento histórico do país no desporto, marcado pela primeira presença da seleção na disputa por uma vaga no Campeonato do Mundo.
A coordenadora-geral do INCT Futebol, a professora Carmen Rial, explicou a aposta no arquipélago: “Quando pensámos em organizar um encontro em África, num país de língua portuguesa, Cabo Verde surgiu como essa possibilidade.” Sublinhou que o futebol é estudado como fenómeno sociocultural que “vai muito além das quatro linhas”, abrangendo temas como o movimento antirracista, a igualdade de género e as políticas públicas de inclusão, numa rede que reúne mais de 200 investigadores.
Pelo Estado, o administrador do Instituto do Desporto e da Juventude (IDJ), Anildo Santos, enquadrou o colóquio num “período ímpar” do desporto nacional e defendeu a criação de um Observatório do Desporto. Destacou ainda a força da diáspora: “Conseguimos colocar 18 mil pessoas no Estádio do Restelo. É obra!”
Coube ao pró-reitor para a Investigação, Inovação e Extensão da Uni-CV, Adilson Semedo, declarar aberto o encontro, em nome da reitora, a professora Astrigilda Silveira. O académico traçou o percurso histórico do futebol no arquipélago, recordando como, após a independência de 1975, a modalidade se tornou “um mecanismo construtor de uma nova identidade patriótica”.
Até 5 de junho, a programação inclui conferência inaugural, mesas-redondas, sessões de comunicação científica, debates temáticos, visitas culturais e o lançamento de livros da série “Futebol, Cultura, Política e Sociedade”. Em debate estão o futebol na educação física escolar, a inclusão e o género, as seleções nacionais, o Mundial e a alta performance, e as relações entre futebol, cultura, sociedade e políticas públicas.