O cientista estadunidense James Watson, considerado o pai da biologia molecular e um dos descobridores da estrutura do DNA, apresentou durante um simpósio sobre Biologia Quantitativa, uma nova e polémica tese acerca da genética da inteligência. Segundo Watson os genes que estão na origem da elevada capacidade intelectual de algumas pessoas são os mesmos que causam doenças como o autismo e a esquizofrenia. "Isso é muito especulativo. Não posso provar", admitiu o biólogo ao jornal brasileiro Folha de S. Paulo. Mas a inteligência, continuou, é rara porque casais inteligentes têm probabilidade mais alta de terem filhos com problemas. "E esses genes tendem a ser eliminados pela selecção natural." Paralelamente, um grupo de investigadores da Universidade do Colorado está também a desenvolver pesquisas baseadas nessa hipótese e apresentaram os dados em finais de Maio nos Estados Unidos, logo depois de Watson ter traçado a sua teoria. Teoria esta que começou a desenvolver após ter sido ele próprio o primeiro ser humano a ter o genoma sequenciado. "Fiquei assustado, descobri que tinha mutações em três genes ligados ao reparo do DNA", declarou. Esses genes, como o BRCA1 e o BRCA2, entram em acção para corrigir danos causados durante a replicação do DNA ou por uma agressão do ambiente, como radiação. As mutações desses genes estão ligadas ao cancro. O cientista, que é pai de um filho esquizofrénico, admitiu que as pessoas com essas mutações tendem a ter poucos filhos e que estes são muitas vezes portadores de doenças como o autismo ou a esquizofrenia. São também mais inteligentes que a média e têm problemas para se relacionar com as outras pessoas. Já o estudo desenvolvido pelos pesquisadores da Universidade do Colorado, liderados pelo cientista James Sikela, é menos especulativo. Eles estabeleceram uma ligação entre cognição e doenças mentais, tendo descoberto uma correlação entre o alto número de cópias de um gene numa certa região do DNA humano e o desenvolvimento do cérebro. Essa região, dizem outros estudos, estaria também implicada com autismo e esquizofrenia. James Watson, 81 anos, foi o laureado com o prémio Nobel da Medicina em 1962. Em 2007 chocou o mundo ao declarar, num artigo publicado no Sunday Times Magazine, que estava "inerentemente pessimista quanto às perspectivas da África" porque "todas as nossas políticas sociais estão baseadas no facto de que a inteligência deles é a mesma que a nossa – enquanto que todos os testes dizem que não é assim". Dois anos volvidos, Watson mantém a sua polémica perspectiva tendo sugerido, durante a apresentação da sua nova teoria, que outro motivo pelo qual a inteligência é rara é que "as pessoas inteligentes pagam por dizerem a verdade. Sei disso por experiência pessoal". Fonte: Folha online
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