Pela primeira vez em Cabo Verde, e fora do âmbito dos decisores políticos, a questão da Televisão Digital Terrestre (TDT) foi debatida numa mini mesa redonda organizada, terça-feria, 19,  no anfiteatro do Campus do Palmarejo, Praia.

Sob o chapéu  "A Televisão Digital, uma nova experiência de ver tv", o Presidente da Agencia Nacional das Comunicações (ANAC), Engenheiro David Gomes,  apresentou o tema "Enquadramento da TDT em Cabo Verde", em que fez uma abordagem técnica, enunciando a questão no arquipélago e no mundo, as vantagens e desvantagens dessa tecnologia que está a invadir o planeta. David Gomes referiu-se ao facto de, que de acordo com a União Internacional das Telecomunicações, a televisão transitará do modelo analógico para o digital em 17 de Junho de 2015. Lembrou que em Cabo Verde os normativos legais já existem, uma comissão técnica liderada pela ANAC está já a trabalhar, e prevê para breve o simulcast, ou seja  a difusão da televisão em regime analógico e digital de forma experimental.

Em termos de vantagens David Gomes reconheceu que a nova norma de televisão vai trazer mais qualidade e vai produzir mais intereactividade, não descurando a existência de alguns custos inerentes a esse processo, mas que não vão demover a assumpção da nova norma de difusão televisiva em Cabo Verde. 

A segunda comunicação foi feita pelo Jornalista e docente da UNICV  Paulo Lima, e intitulada "Televisão Digital Terreste: Novas oportunidades, Novos Conteúdos" onde o docente chamou a atenção para as possibilidades que se abrem com a televisão digital. Na sua apresentação, Paulo Lima que coordena o curso de jornalismo da UNICV, referiu que o processo digital de televisão traz novas oportunidades, também, para os futuros profissionais de comunicação, numa alusão aos alunos dos cursos de  jornalismo  e comunicação e multimédia da UNICV. A cada dia que passa  torna-se mais barato produzir conteúdos para multi-plataformas digitais, e os futuros profissionais têm nesse campo uma oportunidade de emprego e de auto-emprego.  Paulo Lima lembrou que muitos países que fizeram já a transição lidam, agora, com  o problema de falta de conteúdos em formato digital suficiente para preencher as grelhas de programação das estações de televisão. Só aí já existe um mercado para os nossos alunos, futuros profissionais que queiram arriscar-se nesse campo.

A televisão digital é também inclusiva, e vai permitir  integrar pessoas com deficiências visuais e auditivas, daí a  necessidade de produção de conteúdos específicos com a base a recurso da áudio-descrição e legendagem. 

A Semana de Jornalismo que decorre no Campus do Palmarejo de 18 a 22  de Março enquadra-se no plano de actividades do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Cabo Verde, e pretende colocar em discussão temas que são candentes para a comunicação social.

Na quarta-feira, 20, o tema será também sobre digitalização, mas da rádio. O jornalista Carlos Santos apresenta uma comunicação sob o tema "Rádio em Cabo Verde desafios da digitalização" ao que se seguirá a apresentação, pela Coordenação de Jornalismo,   de um ante-projecto de criação de uma Webradio laboratório na universidade.

 

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