Cidade Velha declarada Património Mundial da Humanidade
Escrito por Gab/Imagem Uni-CV   
sexta-feira, 26/junho/2009

2009-06-26 10:57:09

Praia, 26 Jun. (Inforpress) – A Cidade Velha, Cidade da Ribeira Grande de Santiago de Cabo Verde, foi inscrita como património Mundial da Humanidade pela Unesco.

A informação foi divulgada esta sexta-feira, em Sevilha, onde decorre, desde o dia 22, o Fórum Mundial da UNESCO, para decidir sobre 33 sítios e monumentos que faziam parte da lista de candidatos a Património Mundial da Humanidade.

Dos 35 países que apresentaram candidaturas, apenas Cabo Verde, Burkina Faso e Quirguistão não tinham sítios na lista de Património Mundial.

O processo de candidatura da Cidade Velha a Património da Humanidade, entregue em Março último, envolveu Cabo Verde inteiro, e o próprio presidente, Pedro Pires, fez questão de se envolver pessoalmente e dar empurrão à decisão, até pelo investimento feito na sua recuperação pela cooperação de Espanha e Portugal.

Situada a 12 km da Praia, a Cidade Velha é tida como o berço da cabo-verdianidade e o poeta Jorge Barbosa a ela se referia ao escrever sobre “praias abertas, onde naufragaram, onde aportaram caravelas, onde saltaram marinheiros queimados, corsários, escravos, aventureiros, condenados, fidalgos, negreiros, donatários das ilhas, capitães-mores…".

O ministro da Cultura, Manuel Veiga, entende a zona como "laboratório da miscigenação e da emergência de um mundo novo, ligando África, Europa, América e Oriente" e onde "a aventura dos descobrimentos se transformou na aventura da crioulidade e da diversidade cultural".

Naquele primeiro ponto da descoberta das "ilhas perdidas no meio do mar, esquecidas num canto do mundo, que as ondas embalam, maltratam, abraçam", em palavras, ainda, de Jorge Barbosa, desembarcaram navegadores (Vasco da Gama, Colombo, Pedro Álvares Cabral), e piratas (Francis Drake e outros), estes devastando a terra e forçando a fuga para ponto mais seguro, a 12 km de distância - a agora cidade, Praia, tornada capital de Cabo Verde.

O padre Paulo Campos, com mais de 80 anos, minhoto de Famalicão, tem a seu cargo as duas paróquias da Cidade Velha (S. João Baptista e Santíssimo Nome de Jesus, a primeira paróquia do país e de toda a África Ocidental, criada em 1460) e ali trabalha, com interrupções, há cerca de 40 anos, depois de ter chegado, "de barco, porque era assim que se viajava", em 1954.

 O prelado reconhece que "isso do património mundial pode atrair turistas e receitas" e revela que, "ainda há pouco tempo, em escavações na Sé Catedral, foi descoberto o túmulo do segundo bispo de Cabo Verde.

Ao caracterizar a paisagem humana da Cidade Velha, o padre Paulo Campos refere que "são cerca de mil e duzentas pessoas as que vivem na zona", uma população "estável", mas muito pobre. "Até eu me pergunto", sublinha, "como é que as pessoas conseguem ganhar dinheiro aqui, pois nem o mar tem muito peixe… Às vezes, lá têm sorte e apanham um cardume, mas normalmente os pescadores saem e voltam com os barcos vazios…"

Depois, há a chuva, ou a falta dela. "Há mais de um ano que não chove", diz o padre, que, no entanto, reconhece os progressos feitos com a elevação da Ribeira Grande à categoria de câmara, passando a existir escolas e estruturas de apoio aos cidadãos. Haja esperança, desabafa Paulo Campos, e "esta nossa gente aqui é esperançada, gente maravilhosa, num mundo de paz e com um clima fantástico".

Inforpress/Fim

 

Actualizado em ( terça-feira, 25/agosto/2009 )