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Poderá a exposição ambiental a produtos tóxicos ser um fator promotor de doenças neurodegenerativas como a doença de Alzheimer? Este é um estudo que vai ser desenvolvido em Cabo Verde, pelos investigadores da Universidade de Cabo Verde e da Universidade de Aveiro (UA), no âmbito da parceria rubricada entre o grupo de investigação da UA e a Uni-CV. A primeira missão inicia no dia 18 de março de 2018.

O projeto de investigação intitulado “Exposição ambiental a elementos potencialmente tóxicos pode influenciar o desempenho cognitivo e, eventualmente, desencadear doenças neurodegenerativas como a doença de Alzheimer”, a realizar nalgumas ilhas de Cabo Verde, pretende investigar as possíveis relações entre biomarcadores humanos e o desempenho cognitivo dos indivíduos.

“A realização do projeto em Cabo Verde vai ser muito importante pois temos ilhas com maior potencial de exposição, como a ilha de Santiago, mas também temos outras em que não há fontes de poluição conhecidas, como a ilha do Maio, por exemplo”, antecipa Marina Cabral Pinto, investigadora da UA. “Será muito interessante, verificar se há ou não diferenças no desempenho cognitivo dos idosos em ambientes tão diferentes”.

“Acreditamos que uma nova plataforma de dados que combine dados geoquímicos, epidemiológicos, sociológicos e neuropsicológicos possa melhorar a nossa compreensão da relação entre a exposição ambiental e os fatores promotores do declínio cognitivo”, concluem as investigadoras.

 Este estudo pioneiro foi desenvolvido em Portugal por uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro, do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo Comportamental (CINEICC) e do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, do Laboratório de Química Aplicada da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e do Instituto Superior Técnico. A equipa foi distinguida pela Sociedade Portuguesa da Neurologia com o prémio Orlando Leitão, patrocinado pela Biogen.

Apesar do vasto investimento científico e dos muitos progressos conseguidos pela comunidade científica, a demência continua sem ter um tratamento curativo e as causas deste declínio cognitivo não são totalmente conhecidas. “Apenas uma reduzida percentagem dos casos clínicos tem etiologia genética, enquanto a larga maioria tem uma origem esporádica”, lembra Marina Cabral Pinto. Para além da idade, diversos outros fatores, incluindo a exposição ambiental a elementos potencialmente tóxicos, “têm sido sugeridos como estando associados ao aumento de risco de desenvolvimento de demência e da doença de Alzheimer durante o envelhecimento”.

Este projeto exploratório é financiado pelo DRIIHM-Labex, French programme "Investissements d'Avenir".

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