Na difícil mas aliciante tarefa de produzir para o desenvolvimento

Porque os aniversários celebram-se em família, docentes, discentes, funcionários, parceiros e amigos da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) reuniram-se na sexta-feira, 22 de Novembro, na Academia JòtaMont, Mindelo, para assinalar a caminhada de seis anos desta instituição de saber, conhecimento e desenvolvimento.

Mais do que balanço ou celebração, tratou-se de um momento de reflexão e de projectar o futuro numa altura em que, como salientou o Reitor Paulino Fortes, “as parcerias dão sinal de estresse económico e as famílias já começaram a dar sinal desse mesmo estresse”. Diante dessa conjuntura difícil, a Universidade Pública não pode enclausurar-se, quanto mais não seja porque a sociedade espera que ela cumpra, mais do que nunca, a sua missão de formar, de produzir conhecimento, ideias e projectos para provocar “rupturas” e saídas para as situações limítrofes. 

 

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Nesta perspectiva, as palavras do Reitor na Academia JòtaMont soam a desafio e alerta no sentido de se fazer “uma gestão criteriosa dos financiamentos públicos”, porque é hora de mostrar “solidariedade para com as famílias e as instituições”.

Reorganização e uma aposta na pós-Graduação

No mesmo acto, o Vice-Reitor pela Extensão Académica e Desenvolvimento Institucional da Uni-CV, Manuel Brito-Semedo, realçou que para este ano lectivo de 2012/13, a Universidade Pública delineou uma estratégia de “melhor coordenação e maior proximidade da Reitoria às unidades orgânicas”, o que “levou a que fosse activada a Reitoria em S. Vicente”. Agora sob a sua responsabilidade, a Reitoria em São Vicente lança-se no desafio de trabalhar “com vista a uma melhor implantação da Uni-CV nesta região Norte e à promoção da vocação desta no âmbito das suas actividades económicas específicas, particularmente no que toca as Engenharias e as Ciências do Mar, apostando, sobretudo, na pós-graduação”.

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Cátedra Amílcar Cabral

E porque o Auditório JòtaMont (Monte Sossego – Mindelo) deixava-se inebriar pelo sonho da superação, o anúncio da instalação da Cátedra Amílcar Cabral na Uni-CV não podia ser mais apropriado. Afinal de contas, Cabral foi um “académico e humanista”, que sempre viu na cultura e no conhecimento armas poderosas para vencer o desafio do desenvolvimento. 

A Cátedra será, nas palavras do Reitor Paulino Fortes, um centro de investigação “sobre o pensamento e acção do fundador da nossa nacionalidade” e “um espaço de digressões científicas” onde se deseja prosseguir e realizar o sonho da independência a todos os níveis.

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No acto a que assistiu a filha de Amílcar Cabral, a Professora Iva Cabral, o Reitor da Uni-CV fez questão de lembrar que a 20 de Janeiro próximo “Cabo Verde, Guiné-Bissau, África e o Mundo completam 40 anos sem o homem” que idealizou e lutou para que tanto os cabo-verdianos como os bissau-guineenses assumissem as rédeas do próprio destino. E que sigamos o caminho planeado por Cabral.

Também o Professor Julião Soares Sousa, convidado para ministrar a Aula Inaugural, debruçou-se sobre o percurso de Cabral e as suas contribuições não só para a luta de libertação dos povos da Guiné e Cabo Verde, como para Cultura, História e outras áreas de conhecimento.

Mas como o próprio pensamento de Cabral já indica, ninguém, nenhum povo ou nenhuma instituição projecta e concretiza o desenvolvimento de forma isolada. Por isso, a Uni-CV aproveitou o acto para assinar diversos protocolos de parceria com o Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas, o Instituto Marítimo e Portuário e a Guarda Costeira, procurando assim criar sinergia no âmbito do mar.

 

Texto de João Almeida Medina, Docente no Curso de Jornalismo; Fotos de Joaquim José Brito, Jornalista e Estudante do  Curso de Jornalismo no DCSH-SV

 

DISCURSOS

Reitor - Prof. Doutor Paulino Lima Fortes

Vice-Reitor - Prof. Doutor Manuel Brito-Semedo

Presidente da Comissão para Instalação da Cátedra Amílcar Cabral - Prof. Doutor Manuel Veiga

 

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