Este é um momento muito especial para a Uni-CV. Um momento de júbilo pois temos o privilégio de aqui colocar os alicerces de um centro para o estudo do homem Baltasar Lopes da Silva, da obra e das influências de ambos na determinação daquilo que Cabo Verde é hoje e o que poderá ser no futuro: a cátedra Baltasar Lopes da Silva. O privilégio duma universidade que nasceu no país de Baltasar Lopes e que é, sem dúvida, uma das consequências do professor e do cidadão que foi Baltasar Lopes;

É um momento igualmente especial porque se trata de mais uma iniciativa partilhada com a Mindelo Escola Internacional de Artes, instituição nascida nesta cidade tão de Baltasar Lopes – com o nome da cidade – e com a qual a Uni-CV tem comunhão de missão e um contrato de associação.

É um momento especial para a cidade do Mindelo e para cabo verde que vê criada no país um centro de concentração de documentos, pessoas e conhecimentos sobre a cabo-verdianidade. Com mais este espaço de investigação e extensão, a nossa cidade mais se caracteriza como cidade universitária, da cultura académica, portanto.

Baltasar Lopes acreditou e defendeu com todas as suas armas, num destino para Cabo Verde: um destino de progresso, paz, fraternidade e bem-estar. Um destino de país independente, digno entre as nações. Sempre esteve, com o coração, na linha de todas as batalhas para que Cabo Verde se encontrasse e se afirmasse através da educação do seu cidadão, da cultura da sua identidade, da sua língua, literatura...

Cultivou também, enquanto intelectual, a dimensão universal de cidadão do mundo, sendo muito conhecido e estudado em diversas universidades.

Baltasar Lopes, homem cidadão, cidade, universidade e universalidade.

Quem talhou esse Homem? De que fontes bebeu a sua fronte? Num Cabo Verde pobre e abandonado, fustigado por secas e fome? Leão Lopes responde: "o itinerário de BLS construiu-se com o país e com ele se confunde porque encarnou as ilhas que lhe deram o sentido de ser cabo-verdiano e a determinação de luta por uma causa – a cabo-verdianidade".

Cabo Verde continua ainda cá, para nós, com os seus mil e um apelos. O acto que nos reúne aqui é uma resposta a esse apelo – através da Universidade de Cabo Verde e da M_EIA.

Queria aproveitar este momento para agradecer ao Prof. Leão Lopes por ter aceitado dirigir esta cátedra, nesta sua primeira fase, que será de instalação e afirmação. Desde o momento em que aqui nesta nossa magnífica urbe conspiramos para a sua criação, ele se me configurou como a pessoa certa para este desafio. O Prof. Leão Lopes é uma das pessoas que conheço e com quem tenho o gosto e o privilégio de conviver, que mais encarna o espírito de Baltasar Lopes. Ele respondeu ao apelo de Baltasar: o de nos encontrarmos como cabo-verdiano, através de Cabo Verde. Não é preciso outra receita. Não há outra receita, senão olhar e ver Cabo Verde, escutar e sentir cabo verde, sonhar e realizar cabo verde.

O Prof. Leão Lopes apenas usa a arte como um pretexto para esse itinerário da sua própria cabo-verdianidade. Conheci-o quando eu tinha 15 anos de idade, no Atelier-Mar, a ensinar o amor a Cabo Verde através do próprio barro de Cabo Verde. Mais tarde, na galeria com o mesmo nome, na Alternativa, nos movimentos literários Ponto & Vírgula e Folhas Verdes. Continuo ainda hoje no processo do seu conhecimento, não porque não conheça desde já o seu destino (Cabo Verde), mas para descobrir quais são as próximas formas como ele o vai realizar. Quem, como eu – ou o Prof. Brito Semedo aqui presente, teve o privilégio de o seguir numa visita guiada a Santo Antão, sabe do que estou falando. Que a cátedra por ele agora dirigida, sob a égide do patrono, venha a constituir-se como fonte donde jorram rios de cabo-verdianidade para que todos nós, desde nós os mais velhos, já mais difíceis de moldar, aos mais jovens – sobretudo estes – possamos encontrar nas águas desses rios a inspiração e a visão para o cumprimento da nossa missão como homens através de Cabo Verde.

Antes de terminar queria saudar daqui desta tribuna todos os professores cabo-verdianos, nesse seu dia – o dia do Prof. Baltasar Lopes da Silva. Em particular queria saudar os professores do ensino superior, da M_EIA e da Uni-CV. Congratulá-los fortemente por mais um ano de missão e encorajá-los a manterem-se firmes e fiéis na giesta da formação de homens como da construção de identidades - estas, nunca alienadas do chão em que fincamos os nossos pés.

Desejo longa e fecunda vida à Cátedra Baltasar Lopes da Silva.

Renovados agradecimentos à D. Teresa Lopes da Silva,

Um grande bem-haja a todos.

Mindelo, 23 de Abril de 2013

Paulino Lima Fortes, Reitor

 

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