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O Iº Congresso de Enfermagem em Cabo Verde encerrou no dia 22 de novembro com a promessa de voltar em 2021, garante a coordenadora do grupo disciplinar de Enfermagem, Deisa Semedo, durante o ato de encerramento do Congresso.

Perante um público composto por investigadores nacionais e internacionais, enfermeiros, estudantes, membros da equipa reitoral, entre outros convidados, a coordenadora agradeceu a todos que, de uma forma ou de outra, se envolveram na organização do Iº Congresso. Deixou uma palavra de reconhecimento aos conferencistas que aceitaram estar presentes no congresso  e moderadores que acreditaram no projeto. Acrescentou: “É uma emoção estar aqui, hoje, para terminar o Iº Congresso de Enfermagem em Cabo Verde”. 

“Neste contexto das novas demandas socio-ambientais, que contribuiu para ampliar a complexidade das situações de saúde e de doenças, há necessidade de se diversificar espaços de socialização ou debate, onde os enfermeiros e outros profissionais de saúde, possam colocar em alinhamento a filosofia, os valores e as práticas em saúde contemporânea. Neste sentido, o grande objetivo do evento foi promover, divulgar e analisar as evidências produzidas na área de saúde nacionais e internacionais, face aos novos desafios que se colocam atualmente a este   campo de conhecimento”, avançou Deisa Semedo.

Antes de concluir o seu discurso, Deisa Semedo ressaltou que o profissional de enfermagem além da preparação técnica e científica, requer ainda qualidades humanas das mais nobres como dedicação, disciplina, responsabilidade e princípios éticos. “Estes são pontos que esperemos que os enfermeiros e futuros enfermeiros aqui presentes tenham vivo nas suas praticas e cá estaremos todos, novamente, no IIº Congresso de Enfermagem daqui a dois anos.”  

Por sua vez, o Presidente da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), Elvis Chantre, afirmou que foram 3 dias frutíferos para a Universidade de Cabo Verde, docentes, profissionais da área de saúde e, principalmente, para os estudantes. 

“Durante o congresso foram apresentados e discutidos diversos assuntos pertinentes que visam melhorar e qualificar, ainda mais, o nosso curso de enfermagem com resultado direto na melhoria dos nossos hospitais, centros de saúde, entre outras instituições onde os enfermeiros possam exercer as suas funções”, concluiu o Presidente da FCT.  

Durante os 3 dias foram debatidos temas como Ensino Superior: implementação e percurso do curso de Enfermagem em Cabo Verde; Formação dos enfermeiros na região da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental: experiência da Nigéria; Impacto da formação superior na qualidade de Cuidados em Enfermagem; Enfermagem da família; Desafios da formação em Enfermagem; Investigação em Saúde; Empreendedorismo social; Evidência na Decisão Clínica.

 

 

Impacto da formação superior na qualidade de cuidados em Enfermagem 

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No âmbito do Iº Congresso Internacional de Enfermagem em Cabo Verde e da celebração dos dez anos da formação superior na área, realizou-se, na quarta-feira, 20 de novembro, uma mesa-redonda sobre o Impacto da formação superior na qualidade de cuidados em Enfermagem. 

Participaram na mesa-redonda Manuela Frederico, da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, José Brito, enfermeiro do Hospital Baptista de Sousa e Edite Silva enfermeira e superintendente do Hospital Agostinho Neto.

Durante a mesa-redonda os participantes defenderam a importância de se ter uma formação superior e a qualidade dessa formação, o incentivo à investigação e a evolução do curso de Enfermagem da Uni-CV desde a sua origem, em 2009.

 

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Manuela Frederico afirmou que não podemos considerar uma formação superior, unicamente, por ela ser adquirida numa universidade. Essa formação para ser superior tem que ter um elevado nível que permite que haja uma qualificação abrangente com formação específica. 

"Ou seja, tem que haver um reconhecimento da qualidade do ensino. Isso é importante do ponto de vista da estruturação quer, da própria instituição de ensino superior quer, da estruturação do próprio curso. Percebe-se que tem que haver disciplinas específicas mas, também, tem que haver algum conhecimento transversal. Como, aliás, o Senhor Ministro aqui falou, é muito importante a gestão do conhecimento e a investigação porque  ele pertence e consubstancia o conhecimento que temos que ter na área da saúde para responder aos desafios da atualidade e do futuro." 

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Por sua vez, José Brito exortou aos estudantes a investigarem. Afirmou que para desenvolver profissionais capacitados e compromissados com o avanço da ciência, as universidades devem incentivar os académicos a fazerem pesquisas a fim de buscar soluções para os problemas atuais e prestar cuidados de saúde, Enfermagem de qualidade.

"Eu acho que se os enfermeiros e profissionais de saúde não investigarem pode haver o momento em que estejam completamente ultrapassados na prática dos cuidados. Isso faz toda a diferença. Portanto, meu apelo aos jovens para que a formação de três ou quatro anos não seja o fim, mas o início de uma etapa e que a partir daí consigam, de facto, criar mecanismos para investigação. Para não se esquecerem que o saber-fazer é muito importante, mas saber-ser, também, é tão importante como saber-fazer."

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Edite Silva refletiu sobre o crescimento da qualidade de ensino do curso de Enfermagem da Uni-CV. A partir do ano de 2009, o curso superior em Enfermagem teve mudanças com reflexos na prática e na educação, fazendo-se necessária a busca por conhecimentos através de uma política do saber e fazer com a finalidade de formar um profissional com capacidade de se adaptar ao quotidiano. 

"Então podemos dizer que isso é qualidade, quando pensamos que os enfermeiros em Cabo Verde, de uma forma geral, são promotores de cuidados seguros. Então isso vai ao encontro da qualidade e esta também está interligadacom o conhecimento. Se eu não tenho conhecimento, que é um conjunto de competências, eu não posso adequar aqualidade. Falando diretamente na prática, por exemplo,  para melhorar a qualidade nós podemos até fazer, fazer e fazer, mas para melhorar e dar ênfase de qualidade eu tenho que aplicar as múltiplas evidências, ou seja, a aplicação das normas, protocolos e orientações para a melhor prática que eu quero executar. Penso que, de uma forma geral, é isso que tem vindo a ser após essa formação superior na qualidade de cuidados de enfermagem."

 

O Congresso Internacional de Enfermagem em Cabo Verde decorreu até o dia 22 e contou a presença de investigadores e profissionais nacionais e internacionais. 

 

“10 Anos de Formação Superior: construção, percurso e perspectiva” foi o lema Iº Congresso Internacional de Enfermagem em Cabo Verde

 

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A Universidade de Cabo Verde realizou o Iº Congresso Internacional de Enfermagem em Cabo Verde sob o lema “10 Anos de Formação Superior: construção, percurso e perspetiva”, entre os dias 20 e 22 de novembro, no Campus do Palmarejo. Durante os 3 dias, investigadores internacionais e nacionais apresentaram trabalhos que visaram a divulgação de conhecimentos nessa área.

A cerimónia da abertura foi presidida pelo Ministro de Estado, Fernando Elísio Freire, que afirmou que a enfermagem em Cabo Verde está, mais do que nunca, a viver um momento de enorme confiança e de afirmação preparando-se, sobretudo, para melhorar a sua contribuição em prol de um serviço de saúde mais resiliente.

Para Elísio Freire, em representação do Ministro da Saúde e Segurança Social, a realização deste Iº Congresso Internacional de Enfermagem é um claro sinal da dinâmica e interesse académico que a classe vem demonstrando, lembrando que o curso foi pioneiro no ensino superior de enfermagem em Cabo Verde e hoje conta com 127 enfermeiros, estando a maioria a trabalhar na área.

“O Governo tem como objetivos o reforço da prestação dos cuidados de saúde, assegurando acessibilidade e eficácia, equidade e humanização dos serviços, o reforço das ações na promoção da saúde e contribuir para o desenvolvimento da investigação em saúde, entre outros”, avançou o Ministro de Estado.

Por sua vez, a coordenadora do grupo disciplinar de Enfermagem, Deisa Semedo, classificou de “sucessos” esses dez anos, apontando o impacto que o curso vem tendo na sociedade. “Quando se fala de enfermeiros formados na Universidade de Cabo Verde, vê-se o impacto que isto tem porque nós privilegiamos a qualidade”, defendeu a coordenadora acrescentando que a Uni-CV prepara enfermeiros aptos para trabalharem não só no país como também no exterior.

O congresso teve como objetivo refletir sobre o percurso da Licenciatura em Enfermagem na Universidade de Cabo Verde; conhecer as principais evidências no campo da investigação em enfermagem; e apresentar trabalhos científicos relevantes para o desenvolvimento da profissão.

A Enfermagem tem registado, nos últimos anos, uma evolução significativa ao nível do conhecimento científico e da formação, ao nível tecnológico e da filosofia dos cuidados resultantes de mudanças socioculturais, políticas, económicas, demográficas e epidemiológicas das sociedades modernas. Os desafios que se colocam, hoje, aos enfermeiros tanto em Cabo Verde como nos outros países do Mundo Ocidental têm que ver, sobretudo, com a complexidade das situações de saúde e de doença que exigem uma abordagem interdisciplinar.

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