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A I Jornada Científica de Biologia & Saúde teve lugar no auditório do Campus de Palmarejo, entre 27 e 28 de fevereiro, tendo-se destacado a criação da Pós-Graduação em Biologia Parasitária na Universidade de Cabo Verde.

A Sessão Solene da Abertura foi proferida pelo Vice-Presidente da Faculdade de Ciências e Tecnologia, professor Claudino Mendes, e contou com a presença do Vice-Diretor de Ensino, Informação e Comunicação do Instituto Oswaldo Cruz da Fundação Oswaldo Cruz (IOC), Professor Marcelo Pinto e do Presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública, Dr. Tomaz Valdez.

O Vice-Presidente da Faculdade de Ciências e Tecnologia destacou, em particular, a criação do curso de pós-graduação em Biologia Parasitária.

“Essa I jornada da Ciência e Tecnologia, cuja o tema é a Biologia Parasitária, tem o objetivo atualizar o nosso conhecimento nessa área, mas acima de tudo, divulgar a criação do curso de pós-graduação em Biologia Parasitária, através da partilha de investigação científica realizada em Cabo Verde, mas também bebendo muito da experiência dos nossos parceiros da comissão de pós-graduação de Biologia Parasitária do IOC”.

O Vice-Diretor de Ensino, Informação e Comunicação do IOC, Professor Marcelo Pinto, realçou que a apresentação das linhas de pesquisa do IOC visa encontrar um ponto comum para que se possa desenvolver o ensino de pós-graduação na Universidade de Cabo Verde.

“Vamos discutir diversos assuntos relacionados com doenças infeciosas e parasitárias com o objetivo de melhorar o nosso conhecimento como um produto final. Este encontro vai ser bastante proveitoso”, concluiu.

A investigadora da Uni-CV, Professora Iniza Araújo, avançou que o curso de pós-graduação, tanto a nível de mestrado como de doutoramento, é necessário para a geração de conhecimento e para a instalação de equipas de investigação consistentes e de projetos que respondam às necessidades do país.

“Em relação à biologia parasitária, temos necessidade de profissionais com formação avançada ao nível das doenças contagiosas como a tuberculose, a hepatite, o VIH-SIDA e as doenças transmitidas por vectores” revelou, frisando, que os desafios abrangem ainda os sectores da agricultura, das pescas, da pecuária, do controlo de qualidade e biossegurança.

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O primeiro painel a ser apresentado intitulava-se “Estado da Arte da Investigação em Biologia Parasitária em Cabo Verde”, e esteve distribuído em quatros apresentações.

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A Professora Lara Ferrero Gómez, do GIDTPiaget, foi a primeira a fazer a sua apresentação intitulada “Entomologia Médica”, debruçando-se sobre as principais doenças transmitidas pelos mosquitos, nomeadamente, a Dengue, a Zika e a Malária. A investigadora realçou que entre 2013 e 2014 houve uma expansão de mosquitos na cidade da Praia. “Participamos em várias campanhas com o objetivo de sensibilizar a população acerca dos mosquitos”.

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 “Vigilância Entomológica em Cabo Verde”, foi a segunda comunicação apresentada, desta feita pela coordenadora do laboratório de Entomologia Médica, investigadora Silvânia Leal, que sublinhou que o objetivo do laboratório é a vigilância entomológica a nível nacional. Também realçou os projetos de investigação que estão voltados para o controle do vector, assim como os serviços de saúde pública no âmbito do controlo de vetores. “Neste momento, no laboratório de entomologia, as nossas atividades estão direcionadas para os mosquitos vetores. No futuro iremos alargar para outros vetores de doenças, mas neste momento são estes os transmissores de doenças em Cabo Verde”.

 

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“O que a mosca da fruta tem a ver com a saúde?”, questionou o investigador Regla Hernandez, do Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário (INIDA), durante a sua apresentação intitulada “Contribuição para o estudo da mosca da fruta Bactrocera dorsalis Hendel (Diotera – Tephritidae) na ilha de Santiago”. Debruçou-se sobre os impactos económicos das mocas na fruticultura e na segurança alimentar. Em jeito de conclusão foram apresentados alguns resultados da investigação de espécies de moscas das frutas monitorizadas em Cabo Verde, nomeadamente B. dorsalis e C. cosyra, bem como a descoberta de nova espécie de Tephritidae e Leucoteniella.

 

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O investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Uni-CV, Professor Hailton Spencer debruçou-se sobre algumas linhas de investigação na área da Biologia Parasitária. Iniciou a sua explanação questionando o porquê de estudar a Biologia Parasitária na Universidade de Cabo Verde: “Estudamos a Biologia Parasitária para   aprender, ensinar e também dar respostas”.

 “Cabo Verde foi um país descoberto em 1460 e em 1462 iniciou-se o seu povoamento devido à sua situação geográfica. Se hoje estudamos a biologia parasitária não é só por causa da doença, mas é também por causa da História: pode-se começar a estudar a biologia parasitária em Cabo Verde desde 1462, à época do povoamento, com a introdução de povos diferentes, africanos e europeus e, hoje, de vários pontos do globo e também com a introdução de várias espécies de animais e plantas, que alguns investigadores chamam de fatores que favorecem a disseminação de agentes causadores de epidemia, com consequências diretas na saúde da população e na saúde pública”, frisou.

O investigador apresentou os projetos desenvolvidos na área da biologia parasitária designadamente a “Evolução e Epidemiologia Molecular do HIV-1 e HIV-2 em Cabo Verde”, “Hepatite Viral na população negra”, “Estudos sobre a Microbiologia”, “Fatores que influenciam a presença de fusário em ninhos e ovos de tartaruga”, “Zoonoses e vectores em Cabo Verde”.

A Jornada continuou com outras apresentações, tais como “O Ensino no OCI”, pelo Vice-Diretor de Ensino, Informação e Comunicação, “Projetos em Imunologia e Patogenia”, pelo investigador Josué Lima Júnior, “Projetos em Genética e Bioquímica”, pela investigadora Monick Guimarães, “Projetos em Ecologia e Epidemiologia”,  pelo investigador Rafael Freitas e “Projetos em Biologia”, pela investigadora Nazaré Soeiro.

O dia 12 foi dedicado aos cursos de Entomologia e Biossegurança ministrados pelos professores investigadores brasileiros.

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Jornada Científica de Biologia & Saúde marca a pós-graduação em Biologia Parasitária na Uni-CV

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