CEDU.jpg

Mais de 20 investigadores e professores de Cabo Verde, Portugal e do Brasil apresentaram comunicações no III Colóquio Cabo-Verdiano de Educação, que se realizou de 12 a 14 de junho, em Mindelo. Evento académico promovido pela Universidade de Cabo Verde, o colóquio iniciou-se, de forma simbólica, no edifício do Liceu Velho, no momento em que se comemora o centenário da criação do Liceu Nacional nessa cidade, e teve continuidade na Biblioteca Municipal de São Vicente.

Sob lema “Educação, Cidadania e Desenvolvimento: questões de atualidade e desafios para o futuro”, esta edição do CEDU cimentou a vontade de incentivar a investigação em educação no contexto cabo-verdiano e a promoção da partilha de estudos internacionais sobre ideias, sistemas e práticas educativas de interesse e atualidade.

Durante três dias, diversos investigadores e professores trouxeram a debate questões de vária ordem, desde a organização curricular à formação dos docentes, dos diálogos com as tecnologias aos aplicativos, da história a reflexões críticas.

No debate sobre as reformas da educação em Cabo Verde, as críticas viram-se para a falta de um pensamento estratégico que sustente as sucessivas viragens curriculares. Com observações incisivas, Sahida do Rosário, coordenadora pedagógica na delegação do Ministério de Educação em São Vicente, e o pedagogo Fabrício Souza chegaram ao ponto de questionar as matrizes propostas pelo Ministério da Educação para o próximo ano letivo. Para Sahida do Rosário, é inconciliável permitir que o aluno dê até 50 faltas ao longo do ano letivo e, ao mesmo tempo, estabelecer que 70% da nota resulte da avaliação do professor em sala de aula. De modo concreto, a coordenadora pedagógica questiona de que forma o professor poderá avaliar um aluno que não vai à escola.

Em outro painel, Cristina Pires Ferreira, presidente do Conselho Diretivo da Faculdade Ciências Sociais e Humanas e Artes da Uni-CV, defendeu a escola como um espaço privilegiado para a difusão do passado e a sua reflexão, apresentando um estudo sobre a memória social e escolar após a independência de Cabo Verde, em julho de 1975.

Num registo diferente, Carlos Ceia, professor catedrático da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa, apontou alguns princípios visando o melhoramento do ensino, incidindo na disciplina de Língua Portuguesa e no ensino das línguas estrangeiras.

Doutor em design e professor da Uni-CV, Salif Silva apontou para as relações entre o corpo, tecnologia e a educação, promovendo uma reflexão do processo da aquisição do conhecimento que se dá pelo meio da percepção, atenção, associação, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem. Deste modo, o também diretor do Gabinete de Comunicação e Imagem da Uni-CV explanou sobre “Os novos Agenciamentos Tecnológicos do Corpo e as suas implicações na construção do saber”.

A Educação, a Cidadania, a sustentabilidade, as tecnologias, a formação dos professores fizeram-se presentes nos diversos painéis deste colóquio bastante concorrido em que não faltaram discussões profícuas.

Bianual, o Colóquio Cabo-Verdiano de Educação é uma oportunidade para mobilizar pesquisadores nacionais e internacionais, dar visibilidade à investigação em Cabo Verde, proporcionar partilha de conhecimento e reflexão sobre Educação, Cidadania e Desenvolvimento, tal como apresentação de boas práticas e divulgação de produções científicas.

Esta edição contou com a parceria do Instituto Camões, Ministério da Educação e Instituto Universitário da Educação e foi patrocinado pela ASA, Transcor e Purágua.

III Colóquio - Cabo-verdiano de Educação (CEDU 2017)

banner cedu171

A Universidade de Cabo Verde, através da Faculdade de Ciências Sociais, Humanas e Artes no Campus do Mindelo, vai realizar a 3ª edição do Colóquio Cabo-verdiano de Educação (CEDU), este ano com o lema “Educação, Cidadania e Desenvolvimento: questões de atualidade e desafios para o futuro”, de 12 a 14 de junho, na Biblioteca da Câmara Municipal de São Vicente, em Mindelo. A sessão de abertura tem início no dia 12, às 9 horas, na Sala de Desenho do Liceu Velho.

O evento está organizado em subtemas: Políticas educativas e desenvolvimento sustentável no horizonte 2030; Currículo em perspetiva: desafios à multiculturalidade e à promoção da cidadania; Problemáticas e desafios da inclusão educativa; Recursos educativos materiais e digitais na afirmação da Educação Cidadã e durável; Resgatando a memória na Educação: (re) contextualização, transições e investigação; Formação de professores para a Cidadania e o Desenvolvimento Sustentável: políticas e práxis; Educação, desenvolvimento e empreendedorismo: perspetivas e desafios; Educação, Cidadania e tecnologias: inovações e desafios.

A 1ª edição do CEDU realizou-se em 2015 num momento em que vários países em desenvolvimento estavam a efetuar o balanço dos objetivos de desenvolvimento do milénio, a avaliar os planos estratégicos decenais para a Educação e a perspetivar o desenvolvimento do setor.

O CEDU 2017 perspetiva uma abordagem crítica e reflexiva sobre culturas, políticas e práticas que envolvam a relação Educação-Cidadania e Desenvolvimento Sustentável. Coloca a ênfase na investigação sobre os processos educacionais em diferentes contextos socioculturais que garantam a formação cidadã e contribuam para um desenvolvimento sustentável.

Esta mesma edição constrói-se na perspetiva pós-colonial, impondo uma educação promotora da independência cultural. 

O Colóquio será uma oportunidade para mobilizar pesquisadores nacionais e internacionais, dar visibilidade à investigação em Cabo Verde, proporcionar partilha de conhecimento e reflexão sobre Educação, Cidadania e Desenvolvimento, tal como apresentação de boas práticas e divulgação de produções científicas.

O evento é realizado em parceria com o Instituto Camões, Ministério da Educação e Instituto Universitário da Educação. Patrocinado pela ASA e pela Transcor. Vão participar mais de uma dezena de instituições de ensino superior e básico, nacionais e internacionais.

Programa do evento

 

Pin It