"A Segurança da Guiné Conacri conhecia ou não os planos para o assassinato de Amílcar Cabral?

Como previsto, realizou-se na manhã de hoje, dia 2 de Maio, no Campus do Palmarejo da Uni-CV, uma Aula Magna sobre "Amílcar Cabral para Além do Seu Tempo".

O evento foi promovido pela Cátedra Amílcar Cabral, no quadro das suas atribuições de promover um maior conhecimento e valorização do legado de Cabral.

O ato foi presidido pela Magnífica Reitora, Doutora Judite de Nascimento, e contou com a presença da Equipa Reitoral; de Direções do sistema Uni-CV; do Diretor e membros da Cátedra Amílcar Cabral; de vários Combatentes da Liberdade da Pátria, entre os quais a viúva de Amílcar Cabral; de membros da Fundação Amílcar Cabral e do Instituto Pedro Pires; de vários docentes, investigadores e estudantes da Uni-CV.

O Auditório do Campus ficou completamente cheio, com uma moldura humana atenta e interessada.

O Embaixador Óscar Oramas, com uma eloquência invulgar e cativante, discorreu sobre o tema, tendo-se referido, entre outros aspetos, aos seguintes pontos:

1) O paralelismo existente entre Amílcar Cabral e José Martí, duas personalidades de dimensão universal que, por serem um dos grandes obreiros na fundação das respetivas pátrias, continuam vivos no legado que nos deixaram;

2) Falou de Amílcar Cabral como um estratega e lutador, não só da Guiné-Bissau e Cabo Verde, mas de todas as colónias, então em luta. Considerou-o um ilustre filho de todos os povos colonizados, um homem de dimensão ética extraordinária;

3) Considerou que a luta armada, em situação difícil e desigual, só foi vitoriosa por causa da perseverança dos combatentes, da estratégia e da pedagogia do líder.

4) Considerou que o apoio do Presidente Sécou Touré foi inestimável. Inestimável também foi o papel das Nações Unidas;

5) Considerou que o assassinato de Amílcar Cabral decorre do desespero do Regime Fascista Português e da sua Polícia Política – a PIDE DGS;

6) Terminou com um sobrevoo breve à volta dos 9 capítulos que integram o seu livro Amílcar Cabral para Além do seu Tempo.

No debate, vários intervenientes comentaram aspetos relevantes da Aula Magna, destacaram o valioso contributo não só do povo da Guiné Conacri, como também o de Cuba, na Luta de Libertação Nacional, sugeriram que as instituições do ensino passem a dar maior atenção ao legado de Cabral, já que a juventude só pode conhecer e valorizar esse legado se a ele tiver acesso.

Uma questão colocada que mereceu especial atenção do orador foi a seguinte: " A Polícia de Segurança da Guiné Conacri tinha ou não conhecimento do plano secreto para o assassinato de Cabral? Se tinha, porque não agiu para evitar a tragédia?

Respondendo, o Embaixador Oramas confirmou que a segurança da Guiné Conacri tinha conhecimento do plano secreto, que Cabral foi avisado, e que a tragédia aconteceu porque o plano foi antecipado. Disse ainda que Amílcar Cabral lhe tinha solicitado um encontro urgente e que ficou combinado para ser as 11H00 do dia 21 de Janeiro de 1973. Disse que presume que Cabral queria discutir com ele esse hediondo plano. Porém, a tragédia deu-se na noite do dia 20 de Janeiro. Declarou que foi ele, como Embaixador, o primeiro diplomata a ter conhecimento do bárbaro assassinato e foi ele também quem deu notícia ao Presidente Sécou Touré, que ainda não sabia.

E assim terminou a Aula Magna. A Cátedra Amílcar Cabral deu "rendez-vous" aos presentes para o lançamento da reedição do livro Amílcar Cabral para Além do seu Tempo, em Novembro próximo, no quadro do 90º aniversário natalício de Cabral, que acontece a 12 de Setembro do corrente ano.

Manuel Veiga, Diretor da CAC-CV"

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