No último dia 5 de outubro, às 15 horas, no Auditório do Campus do Palmarejo da Uni-CV, no âmbito da programação da "Semana dos caloiros", a Leitora Brasileira, Profa. Doutora Maria Inês Amarante, ministrou a palestra: "A palavra no empoderamento das mulheres nas sociedades em desenvolvimento", que foi seguida de debate com o público presente.
O objetivo desta comunicação foi traçar um breve histórico sobre a importância da palavra feminina nas sociedades onde predomina a oralidade e nas sociedades letradas, através das mediações da voz (e suas performances) e a possibilidade de uma divulgação ampliada pelos meios de comunicação.
Partindo da idéia de que a oralidade coletiviza e que é relevante o papel das mulheres na transmissão cultural da memória dos povos, enquanto fontes narradoras privilegiadas (PERROT, 1989), verifica-se que elas tiveram seu espaço de expressão reduzido através dos tempos, uma vez que ficaram confinadas à esfera doméstica (privada), enquanto que os homens ganhavam força na vida pública ou política (HERITIER, 2004). No entanto, elas nunca deixaram de transmitir sabedoria e o conhecimento tradicional através da palavra, cantada ou falada.
Nas culturas letradas, embora tenha havido um refluxo da palavra feminina no século XIX, restringindo sua propagação a círculos mais privilegiados, uma vez que a educação letrada sempre recaiu sobre os homens na sociedade patriarcal, as mulheres foram conquistando espaços sociais relevantes para, no século XX, ampliar sua participação. A partir dos anos sessenta, com o interesse acadêmico voltado à linguagem verbal, à cultura e à literatura populares, a participação feminina ganhou novos contornos e reconhecimento.
A reflexão que se induz é se as mídias próximas da oralidade (ZUMTHOR) poderiam recuperar as tradições orais e a palavra feminina.
Na era do grande domínio dos meios de comunicação enquanto extensões do homem - como preconizou McLuhan - e o exemplo mais significativo foi o advento do rádio - e do microfone - que potencializaram a expansão da voz -, os variados ambientes tecnológicos constituem processos ativos de uma nova dinâmica social que tem sido mais inclusiva quando se trata da palavra feminina. Neles, as mulheres tem legitimado sua presença e conquistado a cidadania enquanto mediadoras comunitárias. Pode-se assim supor que o regime da cultura oral e escrita na convergência com as culturas informatizadas permitem uma integração coletiva de culturas distantes - ou novas subjetividades em rede – retomando, de certo modo, as tradições orais...
Apresentação do Prof. Dr. Manuel Brito-Semedo, Presidente do Conselho Diretivo do DCSH e da Profa. Dra. Fátima Fernandes, vogal do mesmo Conselho, que atuou como mediadora.
